Kátia tava atrasada, saindo da Lagoa rumo ao Leblon pra academia, quando o celular tocou. Parou o carro na hora. Precisou respirar fundo antes de continuar dirigindo.
A revelação veio num comunicado da equipe de Dolly Parton à revista People. A cantora enfrentou o câncer numa batalha breve e discreta, sem tornar o diagnóstico público, e morreu no Vanderbilt Ingram Cancer Center, cercada pelos entes queridos. Até então, a doença não havia sido revelada aos fãs.

E aí algumas peças dos últimos meses começam a se encaixar. Dolly já vinha enfrentando problemas de saúde e chegou a ser internada em Nashville dias antes da morte. Publicamente, as informações divulgadas mencionavam problemas renais e autoimunes. O câncer ficou fora da versão conhecida pelo público e só foi revelado depois que ela partiu.
Também ganha outro peso o cancelamento dos shows que faria em Las Vegas. Na época, Dolly explicou que precisava passar por procedimentos médicos e cuidar da saúde, sem detalhar um diagnóstico de câncer.
Eu voltei a dirigir ainda pensando nisso. Porque estamos falando de uma mulher cuja vida inteira aconteceu diante de milhões de pessoas. Música nova virava notícia, roupa virava notícia, frase virava notícia, aparição virava notícia. Mas, quando enfrentou uma das batalhas mais difíceis da própria vida, Dolly escolheu o silêncio.
A nota divulgada após sua morte exaltou sua generosidade e o legado deixado pela artista. Só que o que mais me pegou foi justamente aquilo que ela decidiu não dividir.

Dolly Parton passou décadas sendo uma das mulheres mais conhecidas do planeta e conseguiu guardar para si uma das informações mais íntimas de sua vida até o fim.
Hoje, indo para o Leblon, fiquei pensando que talvez essa tenha sido uma última escolha de uma mulher que sempre soube controlar a própria história: o mundo conheceu a estrela, as músicas, o humor e a extravagância. A batalha contra o câncer, Dolly preferiu enfrentar longe dos holofotes.