Gente, eu vou confessar uma coisa aqui logo cedo, ainda de pijama no Cosme Velho com o café esfriando do lado: eu sou apaixonada pelo Diogo Defante. Vivo ligando para ele, sou aquela amiga chata que manda mensagem perguntando quando sai coisa nova. Pois ontem saiu. Às 19h em ponto, estreou a segunda temporada do Repórter Doidão pelo Brasil no canal dele, e eu assisti com o celular apoiado na almofada rindo sozinha feito doida.
A trama começa exatamente onde a primeira terminou, e preparem o coração. Depois de uma luta na floresta, o amigo guru do Defante vai parar preso na tal galáxia prepuciana, refém de um príncipe intergaláctico vivido por um comediante angolano. Para tirar o amigo de lá, o repórter precisa provar que ainda existe bondade entre os humanos, arrancando uma boa ação genuína em cada cidade por onde passa. Eu li a sinopse duas vezes para ter certeza de que tinha entendido. Tinha. É isso mesmo.

E o roteiro de viagem é de dar inveja. Ele passa pelo Acampamento Farroupilha em Porto Alegre, pelo Beto Carrero World em Balneário Camboriú e pela Estrada Parque Pantanal saindo de Cuiabá. Em João Pessoa, encontra o humorista Mizael Silva. Em São Luís, cai nos sound systems de reggae. Depois vêm Vitória, Manaus e São Thomé das Letras, que eu já imagino rendendo episódio histórico. Por que só Brasil? Ele mesmo explica, na maior cara de pau, que o passaporte venceu e a missão ficou por aqui. Amo.
Para quem acha que é só palhaçada, os números contam outra história. Defante criou o Kaozada em 2012, hoje soma mais de 10 milhões de seguidores e transformou o Repórter Doidão num personagem que cobriu da Copa do Catar, em 2022, até a Copa de 2026, e ainda chegou à TV. A primeira temporada da série pelo Brasil passou por oito cidades das cinco regiões e alcançou mais de 88 milhões de pessoas entre episódios e cortes. E, segundo os dados de audiência do próprio projeto, cidades de todas as cinco regiões estão entre as que mais assistem, o que mostra que a graça dele funciona do Chuí ao Amazonas.
O método é o que me pega. Ele chega em festa popular com o figurino de sempre, microfone na mão e um desafio na cabeça, e deixa o acaso fazer o resto. Isso exige um timing que pouca gente tem, porque não dá para ensaiar a reação de quem está na rua. Ele chama de “jornalismo true”, e a frase que ele usa para explicar o sucesso é perfeita: o Repórter Doidão funciona porque as pessoas são o roteiro. Quem aparece na tela é o morador, longe daquela cara de cartão postal que a gente cansou de ver.

São oito episódios de uma hora, toda quinta às 19h, classificação livre e produção executiva da Agência Skip. Ou seja, até o fim do ano tem programa garantido na minha quinta à noite. Defante, se estiver lendo, atende o telefone, que eu quero saber quem é o tal príncipe.