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Kátia Flávia
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“Desculpas às putas brasileiras”: Paulo Figueiredo repete misoginia em nota sobre ataque à GloboNews

Influenciador chamou jornalistas de “putas” e “prostitutas do Lula”; na suposta retratação, deslocou a ofensa para profissionais do sexo

Kátia Flávia

30/07/2026 12h30

Paulo Figueiredo publicou nota após ataques contra jornalistas da GloboNews

Paulo Figueiredo publicou nota após ataques contra jornalistas da GloboNews

Paulo Figueiredo publicou uma nota apresentada como pedido de desculpas depois de atacar jornalistas da GloboNews com termos misóginos. Mas a retratação veio carregada de ironia: ele afirmou se desculpar “às putas brasileiras” que teriam se sentido ofendidas pela comparação.

Eu tinha acabado de chegar à Marina Botafoch, ajustando o lenço de seda no pescoço diante dos barcos atracados, quando li a nota. E não é desculpa quando a pessoa usa a desculpa para dar outra cotovelada na mesma ferida. É ataque com papel timbrado e pontuação de deboche.

No vídeo que motivou a repercussão, Figueiredo chamou profissionais da GloboNews de “putas” e “prostitutas do Lula”. Na nota posterior, alegou que havia feito uma generalização sobre jornalistas que, segundo ele, venderiam opiniões por dinheiro. Também insinuou que a reação ao ataque seria fruto de “baixo grau de escolaridade” de alguns profissionais.

A suposta retratação não traz pedido de desculpas direto às jornalistas atacadas. Ao contrário: muda o alvo e usa profissionais do sexo como instrumento para preservar a agressão inicial. É o velho truque de dizer “fui mal interpretado” depois de falar exatamente o que queria dizer.

O episódio também incluiu uma fala de teor sexual contra Míriam Leitão. Figueiredo citou a jornalista nominalmente e repetiu uma lógica já usada em agressões públicas contra mulheres: a de tratar a violência sexual como humilhação verbal. Não há humor, metáfora ou figura de linguagem que conserte isso.

Antes desse caso, ele já havia sido criticado por declarações misóginas sobre o voto de mulheres, dizendo que elas votariam “muito mal”, especialmente as solteiras.

Segui pelo calçadão da marina com a frase martelando na cabeça. Criticar jornalistas é direito de qualquer pessoa; reduzir mulheres a insultos sexuais e depois chamar isso de pedido de desculpas é outra coisa. Figueiredo não se explicou: dobrou a aposta.

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