Paulo Figueiredo publicou uma nota apresentada como pedido de desculpas depois de atacar jornalistas da GloboNews com termos misóginos. Mas a retratação veio carregada de ironia: ele afirmou se desculpar “às putas brasileiras” que teriam se sentido ofendidas pela comparação.
Eu tinha acabado de chegar à Marina Botafoch, ajustando o lenço de seda no pescoço diante dos barcos atracados, quando li a nota. E não é desculpa quando a pessoa usa a desculpa para dar outra cotovelada na mesma ferida. É ataque com papel timbrado e pontuação de deboche.

No vídeo que motivou a repercussão, Figueiredo chamou profissionais da GloboNews de “putas” e “prostitutas do Lula”. Na nota posterior, alegou que havia feito uma generalização sobre jornalistas que, segundo ele, venderiam opiniões por dinheiro. Também insinuou que a reação ao ataque seria fruto de “baixo grau de escolaridade” de alguns profissionais.
A suposta retratação não traz pedido de desculpas direto às jornalistas atacadas. Ao contrário: muda o alvo e usa profissionais do sexo como instrumento para preservar a agressão inicial. É o velho truque de dizer “fui mal interpretado” depois de falar exatamente o que queria dizer.
O episódio também incluiu uma fala de teor sexual contra Míriam Leitão. Figueiredo citou a jornalista nominalmente e repetiu uma lógica já usada em agressões públicas contra mulheres: a de tratar a violência sexual como humilhação verbal. Não há humor, metáfora ou figura de linguagem que conserte isso.

Antes desse caso, ele já havia sido criticado por declarações misóginas sobre o voto de mulheres, dizendo que elas votariam “muito mal”, especialmente as solteiras.
Segui pelo calçadão da marina com a frase martelando na cabeça. Criticar jornalistas é direito de qualquer pessoa; reduzir mulheres a insultos sexuais e depois chamar isso de pedido de desculpas é outra coisa. Figueiredo não se explicou: dobrou a aposta.