A denúncia do Ministério Público de São Paulo contra Lucas Strabko, conhecido como Cartolouco, aponta que o influenciador teria urinado propositalmente na sala e na varanda do apartamento da ex-namorada para humilhá-la. O episódio, segundo os autos, teria ocorrido em 10 de janeiro de 2026, em meio a uma sequência de acusações de violência psicológica, ofensas verbais e agressões físicas.
Eu já tinha desistido de fingir que ia sair cedo para a academia e estava procurando uma garrafinha de água que provavelmente fugiu de casa quando li esse trecho da denúncia. Parei na porta da área de serviço com a toalha no ombro e senti aquele enjoo que fofoca nenhuma disfarça. Porque urinar na sala de uma mulher para constranger, rebaixar e marcar território não é “barraco”. É humilhação calculada.

De acordo com a denúncia divulgada pelo portal LeoDias, Cartolouco teria acusado a vítima de uma suposta conduta inadequada e passado a xingá-la com ofensas como “vagabunda” e “puta”. Ainda segundo o documento, ele teria urinado de propósito na sala e na varanda do apartamento como forma de degradar a ex-companheira.
O caso é repulsivo justamente pelo simbolismo. Não é só o ato em si. É a tentativa de transformar a casa da vítima, que deveria ser um espaço de segurança, em cenário de medo, sujeira e submissão. Minha filha, quando uma denúncia descreve esse tipo de comportamento, a gente entende por que a violência psicológica precisa ser tratada com a seriedade que merece.
O documento também relata que, ao longo de aproximadamente dez meses de relacionamento, Cartolouco teria praticado outros atos degradantes. Em um trecho, o Ministério Público afirma que ele arremessava alimentos ao chão e, enquanto a ex-namorada limpava a sujeira causada por ele, dizia: “come do chão porque é isso que vagabunda faz”.
A denúncia aponta ainda um episódio ocorrido em 31 de janeiro, quando Lucas Strabko teria arremessado uma bebida contra a vítima, dado um tapa em seu rosto e provocado uma leve queimadura na orelha dela com o cigarro que segurava. Uma testemunha afirmou ter reconhecido o influenciador no local. No mesmo dia, segundo a promotoria, ele também teria ameaçado invadir o apartamento da ex para quebrar objetos dela.
O Ministério Público baseou a acusação no artigo 147-B do Código Penal, que trata da violência psicológica contra a mulher, além de dispositivos relacionados a vias de fato em contexto de violência doméstica e familiar, previstos na Lei Maria da Penha.
O caso ganhou repercussão nacional após ser exibido pelo Fantástico, no último domingo (12), com relatos semelhantes de outras duas ex-companheiras de Cartolouco. A ex-namorada que consta na denúncia teve a identidade preservada.

A defesa de Lucas Strabko nega as acusações. Em nota, a assessoria afirmou que ele colabora com a apuração, reconhece a seriedade dos relatos e defende que o caso seja conduzido com responsabilidade, respeito a todos os envolvidos e sem julgamentos antecipados.
Eu repito porque é necessário: a defesa nega, a Justiça vai apurar, e processo existe exatamente para isso. Mas não dá para suavizar uma denúncia que fala em urina, humilhação, xingamentos, agressões e medo dentro de uma relação. A palavra “polêmico” aqui fica pequena demais. Segundo o Ministério Público, os fatos narrados na denúncia configuram violência psicológica e outras condutas investigadas no âmbito da Lei Maria da Penha.