Dedé Santana não segurou a emoção ao participar do “Encontro”, da Globo, nesta quarta-feira (15), e revisitar a história de “Os Trapalhões”. O humorista falou da saudade de Mussum e Zacarias, relembrou a parceria de mais de seis décadas com Renato Aragão e contou que viu Didi pela última vez em março, durante uma visita à casa do amigo na Barra da Tijuca.
Eu tinha acabado de sair de Botafogo e já estava naquela indecisão adulta humilhante entre almoçar direito ou resolver a vida com um salgado de balcão, quando apareceu Dedé chorando na televisão. Parei tudo. Porque tem fofoca que a gente comenta com veneno, mas tem memória afetiva que entra pela porta da frente, senta no sofá e manda a gente respeitar.

No programa, Dedé foi direto ao coração do público ao afirmar que “não existe Dedé sem Didi”. Segundo ele, tudo começou com a dupla formada ao lado de Renato Aragão, antes mesmo de “Os Trapalhões” virarem o fenômeno que marcou gerações. O humorista contou que, sempre que vai à casa de Didi, os dois se emocionam, se abraçam e relembram o começo difícil da carreira.
E aqui eu digo uma coisa: dupla que atravessa 62 anos de amizade não é dupla, é patrimônio tombado pelo riso brasileiro. A gente pode discutir humor antigo, televisão de outra época, tudo o que envelheceu bem ou mal, mas Dedé e Didi fazem parte daquele pacote de domingo, sofá, almoço em família e criança rindo sem entender metade da malícia.
Dedé também abriu o álbum sentimental dos colegas de grupo. Ele disse que Zacarias era o grande ator e conselheiro, aquele que apaziguava as “coisinhas” quando quatro homens conviviam dia e noite. Já Mussum foi definido como o grande comediante e improvisador da turma. Para ele, Dedé e Didi eram os dois palhaços de circo.

Ao rever imagens dos amigos, o humorista não disfarçou: sente muita falta dos Trapalhões. “Essas imagens tocam direto no meu coração”, afirmou. E tocaram mesmo, porque até quem estava só de passagem pela sala deve ter dado aquela engolida seca fingindo que era alergia.
Aos 90 anos, Dedé segue em atividade. Ele está em cartaz com o espetáculo circense “Abracadabra”, prepara um livro sobre sua trajetória, escrito por Victor Lustosa, e também um filme chamado “Para Sempre Trapalhão”, com direção e roteiro de Felipe Cunha.
Fiquei pensando que Dedé não chorou só pelos amigos. Chorou por um Brasil que ria junto, por uma televisão que parava casa inteira e por uma turma que virou lembrança de família mesmo para quem nunca pisou num estúdio. Minha filha, isso não é nostalgia barata. É saudade com nariz de palhaço e coração enorme.