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Kátia Flávia
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De balconista de farmácia ao horário nobre: quem é Gabriela Loran, atriz de “Três Graças” que será futura psicóloga

Nascida em São Gonçalo, a atriz trabalhou em drogaria e restaurante antes de estudar Artes Cênicas na CAL. Hoje, vive a farmacêutica Viviane em “Três Graças” e ainda encara uma segunda graduação, em Psicologia.

Kátia Flávia

15/03/2026 13h30

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A atriz interpreta a farmacêutica Viviane, que é um dos personagens mais aclamados de Três Graças, atual novela das 21h da TV Globo. (Foto: Reprodução/Google Imagens)

Eu amo quando a vida entrega uma coincidência dessas que parece escrita por autor de novela em semana inspirada. Antes de viver a farmacêutica Viviane em “Três Graças”, Gabriela Loran conheceu o balcão de farmácia na vida real, meu amor. Nascida em São Gonçalo, ela trabalhou como atendente, repositora, caixa e chegou a gerente de drogaria, além de fazer bico como garçonete, para bancar o sonho de estudar Artes Cênicas. Quando eu vejo uma história dessas, eu nem pisco, porque não é só superação bonitinha de release. É biografia com boleto, salto alto emocional e muita teimosia para não desistir no meio do caminho. 

E a conta não fechava fácil, não. Gabriela ganhava cerca de R$ 1.300 por mês, fazia curso técnico em Segurança do Trabalho e ainda tentava desenhar um futuro mais estável, mirando até Engenharia Ambiental, antes de decidir prestar vestibular para a CAL, a Casa das Artes de Laranjeiras. Passou, largou o caminho “seguro” e foi morar no centro do Rio para conciliar aula com plantão em restaurante. Eu precisei pausar a esteira nessa parte, porque é a clássica história da artista brasileira que não nasceu dentro do camarim climatizado, nasceu correndo atrás, com o crachá numa mão e o texto decorado na outra. É daí que vem estofo, não de filtro bonito em rede social. 

Foi justamente nesse período de faculdade que ela se entendeu como mulher trans e iniciou sua transição, aos 23 anos, ao mesmo tempo em que aceitava trabalhos de atriz, muitos deles sem cachê. Anos depois, Gabriela entraria para a história ao se tornar a primeira atriz trans em “Malhação”, em 2018, e seguiria abrindo espaço em produções como “Renascer” até chegar a “Três Graças”, onde interpreta Viviane, personagem que ganhou destaque na trama das nove. E aqui está o pulo do gato que eu adoro, a personagem não é só “a amiga de alguém” na novela. Viviane tem função, densidade, interfere na história e carrega uma vivência que Gabriela conhece por dentro. Isso muda tudo na tela, meu bem. 

Aliás, a semelhança entre atriz e papel não é mero enfeite de coletiva. Na novela, Viviane é farmacêutica, dona da própria ética, vaidosa, cuidadosa e peça importante em conflitos ligados a medicamentos e saúde pública. Fora da ficção, Gabriela já contou que escutava as “senhorinhas” no balcão da farmácia e reconhece muito dessa escuta na personagem. Como se não bastasse gravar novela e tocar a vida pública nas redes, ela ainda cursa Psicologia, movida pelo desejo de acolher pessoas trans e suas famílias de um jeito que muitos consultórios ainda falham em fazer. Olha a ambição bonita aí, sem pose e sem verniz. A moça não quer só aparecer, quer construir ferramenta de cuidado. 

No fim, Gabriela Loran me interessa justamente porque a trajetória dela não cabe naquela caixinha preguiçosa de “representatividade” jogada de qualquer jeito. Ela é, sim, um nome importante nesse debate, mas é também atriz, comunicadora, mulher de repertório e agora futura psicóloga, costurando arte, escuta e presença no horário nobre. E isso aparece em cena. Viviane parece real porque vem de uma atriz que já viveu balcão, aperto, estudo, descoberta e reinvenção sem plateia aplaudindo no começo. Meu povo, guardem esse nome com carinho, porque quando uma artista chega à novela carregando vida de verdade, a câmera sente. E eu sinto junto, porque estrela boa é assim, antes de brilhar, ela rala.

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