Estou no hotel em Nova York, ainda de touca depois da hidratação, quando o celular não para de vibrar com gente comentando o desabafo do Craque Neto ao vivo na Band. Larguei até o chá gelado de lado para assistir com atenção o que ele tinha para contar, porque quando ele abre a boca desse jeito, o Brasil inteiro para para ouvir.
Neto revelou que já enfrentou pressão de senadores, treinadores e presidentes da CBF que tentaram conseguir sua demissão da emissora ao longo de cinco Copas do Mundo, e nenhum deles conseguiu. Ele listou nomes pesados ligados à cúpula da entidade, de Ricardo Teixeira, que hoje nem sai do país com medo de ser preso, até José Maria Marin e Marco Polo Del Nero, os dois condenados por corrupção.

O comentarista ainda lembrou episódios de bagunça na preparação da Seleção Brasileira, como a liberação de jogadores para boate depois do jogo contra o Japão, deixando claro que os problemas do futebol brasileiro vêm de muito antes da eliminação recente. E aqui na coluna a gente sabe bem que fachada de organização nunca combinou com essa entidade, o histórico fala por si.

Assim que o vídeo circulou, a repercussão tomou conta das redes, foram compartilhamentos, comentários de torcedores aplaudindo a coragem do comentarista e prints da fala espalhados em grupo atrás de grupo. Tem gente pedindo que ele processe quem tentou calá-lo, tem gente relembrando cada escândalo que ele citou, e o assunto virou pauta obrigatória entre os brasileiros que também estão acompanhando a Copa por aqui em Nova York.
E eu, recebendo ligação atrás de ligação sobre esse rebuliço direto do hotel, só posso fechar com o veredito que toda vizinha de bem já sabe, quando o problema é estrutural há vinte anos, trocar de técnico ou de comentarista nunca resolveu nada, o buraco sempre foi na cúpula.