Eu avisei que a Record não ia largar o osso turco tão cedo. A emissora já bateu o martelo e marcou para 24 de fevereiro a estreia de Coração de Mãe, nova novela internacional que entra no horário nobre depois do encerramento de Mãe. Horário das 21h, luz baixa, emoção alta e lenço estratégico no sofá.
O folhetim é a versão brasileira de I Am Mother e traz no centro da história Özge Özpirinçci, nome já carimbado na memória do público da Record graças ao sucesso de Força de Mulher. Aqui ninguém arrisca rosto desconhecido. A casa joga com carta marcada e audiência já treinada.
Na trama, Özge vive Karsu, uma mulher presa a um casamento abusivo que vê a própria vida desandar depois de perder a guarda do filho. Como se isso não bastasse, o garoto desaparece logo nos primeiros capítulos, inaugurando uma sequência de sofrimento que movimenta toda a história e sustenta o drama em alta voltagem.
Eu observo e registro. O roteiro ainda adiciona uma camada incômoda ao revelar que a mãe da protagonista tem ligação direta com o sumiço da criança. A relação entre as duas é tudo, menos acolhedora, e se estende também à irmã de Karsu, formando uma rede familiar onde afeto e conflito dividem o mesmo teto.

Além da maternidade em colapso, Coração de Mãe mergulha em temas como violência psicológica, traição e superação. O marido da protagonista se envolve com a melhor amiga dela, detalhe que não passa batido nem na ficção, nem no sofá de quem assiste. Eu diria que o impacto emocional é calculado, não acidental.
Exibida em países de língua espanhola com o título Una Madre Nunca Se Rinde, a produção recebeu elogios por tratar questões sociais de forma direta e melodramática, marca registrada das novelas turcas que a Record vem colecionando com método e retorno.