O casamento de Davi Brito e Emilly Garcia, realizado em Salvador, entregou emoção, luxo e alguns perrengues de bastidor. A celebração reuniu cerca de 300 convidados, custou aproximadamente R$ 1,5 milhão e teve pessoas barradas na entrada por não terem feito o cadastro facial exigido pela organização.
Voltei para o sofá, tentando aproveitar o domingo com um livro aberto e o copo d’água ao lado, quando li “convidados barrados”. Fechei tudo. Porque festa de R$ 1,5 milhão não pode ter porta comum, minhas filhas. Tem que ter reconhecimento facial, lista, controle de acesso e alguém descobrindo tarde demais que amizade sem cadastro não atravessa o portão.
Segundo convidados, o espaço chegou ao limite de 300 pessoas, e quem não fez o procedimento facial antes da cerimônia ficou impedido de entrar. Eu fui até a cozinha buscar gelo para o copo e imaginei a figura toda produzida, presente embrulhado, cabelo pronto para foto e, na hora H, recebendo a notícia de que o rosto dela não estava liberado pelo sistema. É uma derrota que nem salto alto cura.

Dentro da festa, Davi não segurou a emoção. O ex-BBB chorou bastante ao entrar para a cerimônia e, nos votos, falou sobre os cinco meses de relacionamento com Emilly. “Você insistiu na gente, insistiu no nosso amor, insistiu quando parecia que não tinha mais jeito”, declarou. “Às vezes, cinco meses pode carregar sentimentos que algumas pessoas não encontram por uma vida inteira.”
Voltei para a sala com o gelo derretendo no copo e pensei: cinco meses, 300 convidados, R$ 1,5 milhão e voto de amor com intensidade de último capítulo. Davi não fez casamento para quem aprecia moderação. Fez casamento para quem olha uma cascata de lagosta e pergunta onde está o prato principal.
E o banquete não decepcionou. Teve cascata de lagosta, ceviches, salmão ao molho de alcaparras, camarão, bacalhau, risoto de camarão, cordeiro francês, rosbife, pernil de Parma e brie na massa filo com mel. Também foram servidos cordeiro e leitão a pururuca vindos da fazenda do noivo. Eu parei diante da geladeira aberta e achei meu copo d’água muito pouco ambicioso.

A decoração apostou em branco, verde e dourado, com 20 jarros vietnamitas avaliados em R$ 12 mil cada. Só eles somariam R$ 240 mil. Davi usou smoking sob medida de R$ 16 mil, enquanto Emilly escolheu vestido exclusivo com capa de flores bordadas em seda. Não foi uma festa; foi uma operação logística de glamour com comida suficiente para deixar qualquer casamento de condomínio inseguro.
A mãe de Davi, Elisângela Brito, apareceu sorridente na celebração após ter se emocionado nas redes no mês passado ao contar que o filho havia oficializado a união sem avisá-la. A irmã, Raquel, também marcou presença, grávida e acompanhada do namorado. Eu sentei de novo no sofá e entendi que essa festa tinha mais enredo por metro quadrado do que muita temporada de reality.
No fim, teve choro, bloqueio facial, lagosta, leitão, jarro vietnamita e voto apaixonado. Davi e Emilly fizeram um casamento de cinco meses com a intensidade de quem decidiu não deixar nenhuma categoria sem representação. E os convidados barrados, bem, esses certamente têm uma versão bastante particular desse conto de fadas.