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Kátia Flávia
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Como as “canetas emagrecedoras” mudaram o mercado de controle de peso. O que isso significa para o segmento de suplementos?

À medida que as canetas reduzem o apetite e a ingestão alimentar, elas também evidenciam lacunas nutricionais e funcionais, o que abre espaço para que os suplementos ofereçam um novo valor real

Kátia Flávia

05/05/2026 16h00

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Como as “canetas emagrecedoras” mudaram o mercado de controle de peso. O que isso significa para o segmento de suplementos?

Os medicamentos GLP-1, conhecidos pelas canetas de emagrecimento, mudaram o comportamento de mercado de controle de peso.

Para as marcas que atuam no mercado nacional, a mudança é inegável. As terapias com as canetas (Ozempic, Wegovy, Mounjaro, etc), não representam apenas mais uma tendência e sim uma redefinição do papel da nutrição pelo mundo.

No entanto, a questão que se apresenta atualmente é o papel dos suplementos nessa categoria de controle de peso.

O rápido desenvolvimento dos medicamentos GLP-1 veio acompanhado de um crescimento igualmente rápido na conscientização e adoção. Somente na Grã-Bretanha, cerca de 1,6 milhão de adultos já utilizam essas terapias, e em toda a Europa o interesse continua acelerando. Nos Estados Unidos, a adoção é ainda maior, com cerca de 13% da população utilizando as canetas.

Todavia, a verdadeira transformação é comportamental. Os consumidores começam a enxergar o controle de peso sob uma ótica mais clínica e orientada a resultados e as expectativas estão aumentando.

Soluções rápidas e genéricas estão sendo substituídas por um suporte mais direcionado, baseado em ciência, que esteja alinhado com o funcionamento do organismo durante o emagrecimento. É aí que surge a oportunidade para as marcas suplementares de nutrição.

Redefinindo o papel dos suplementos no controle de peso

As terapias com GLP-1 funcionam ao imitar o hormônio GLP-1, alterar o apetite, a saciedade e os sinais metabólicos. Como resultado, mudam a alimentação no dia a dia, os padrões alimentares se transformam e a ingestão calórica geralmente diminui. E quando comer menos se torna o padrão, a qualidade da dieta passa a ser muito mais importante, o que traz à tona prioridades fisiológicas como preservação muscular e ingestão adequada de micronutrientes.

Esse contexto pode significar que suplementos tradicionais focados em queima de gordura ou supressão do apetite estejam menos alinhados às novas necessidades dos consumidores.
À medida que as canetas reduzem o apetite e a ingestão alimentar, elas também evidenciam lacunas nutricionais e funcionais, o que abre espaço para que os suplementos ofereçam um novo valor real.

De fato, alguns estudos indicam que esses medicamentos podem reduzir a ingestão alimentar total em até 20%, embora nutrientes essenciais como proteína, fibra e cálcio possam ficar abaixo do ideal.

Desse modo, os suplementos estão sendo reposicionados como uma camada adicional de suporte, ajudando a estabilizar e otimizar a experiência.

Para os consumidores, isso significa garantir adequação nutricional diante da redução alimentar. Para outros, trata-se de manter força e resistência física durante a perda de peso acelerada.

O desafio não se limita ao controle de peso. Há evidências de que o uso de GLP-1 (canetas) pode causar efeitos digestivos em alguns usuários. Isso abre espaço para suplementos voltados à saúde intestinal.

“Com a chegada das terapias com GLP-1, o desafio deixa de ser apenas comer menos e passa a ser a nutrir-se melhor. A suplementação assume um papel estratégico na adequação de proteínas, fibras e micronutrientes, devendo estar integrada ao acompanhamento de nutricionistas e nutrólogos para garantir os resultados mais seguros e sustentáveis.”

BRASNUTRI

A Associação Brasileira de Suplementos Alimentares, BRASNUTRI consolidou-se como a principal entidade representativa do setor por reunir as empresas protagonistas responsáveis pela maior parcela da produção e comercialização de suplementos no País.

Com o objetivo de atuar na defesa dos interesses do setor, a Associação trabalha no aprimoramento regulatório e na promoção do desenvolvimento sustentável do mercado. Em colaboração estratégica com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), o grande desafio da instituição é consolidar o Brasil como referência mundial em segurança e inovação em suplementação.

Em seu corpo diretivo, a entidade conta com Aline Goettert, diretora executiva e mestranda em Nutrição com sólida experiência em Negócios, Produtos, Regulatório e Marketing (com passagens por Nestlé, Integralmedica e Wow Nutrition).

Na frente de Relações Institucionais e Governamentais, a governança conta com o advogado Ubirajara Marques, especialista em Direito Sanitário pela FIOCRUZ e com MBA em Administração Empresarial pela FGV/RJ.
Atualmente, a entidade contempla mais de 60 marcas, que detêm mais de 70% do market share do nicho de suplementos.

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