A chamada de vídeo caiu aqui no meio da manhã e a primeira coisa que me mostraram foi a foto da Ana no palco. Eu ampliei, ampliei de novo e pedi para virarem a câmera mais perto. Gente, que vestido é aquele? Vermelho, ombro de fora, babado descendo em cascata pela lateral. Desliguei a chamada já discando para a Ana, porque eu preciso saber quem fez e, principalmente, se ela me empresta. Até agora não atendeu. Eu sigo tentando.
Enquanto o telefone chama, vamos ao que interessa. A noite foi em São Paulo, com apresentação da Ana e do Zucatelli e show do Michel Teló, e arrecadou cerca de R$ 1,5 milhão. Na plateia, aproximadamente 600 pessoas entre executivos, parceiros, apoiadores e lideranças empresariais. A lista de empresas que bancaram a edição tem peso: Arcos Dorados, Coca-Cola, Santander, McCain, Bimbo, Capgemini, MBRF, Martin Brower, Ovomaltine e mais uma turma grande. Em 17 edições, o jantar já somou cerca de R$ 16 milhões para a causa.

E aí eu parei de pensar no vestido. Fui ler os números das famílias que esse dinheiro sustenta e fiquei emocionada de verdade. Cerca de 70% das famílias acolhidas pelo programa vivem com até um salário mínimo, e 84% dizem que não teriam onde ficar durante o tratamento do filho sem uma vaga numa Casa Ronald McDonald. Tem mais: 74% dos cuidadores precisaram largar o emprego para acompanhar a criança, e 65% chegam às unidades com sinais de ansiedade. Imagina atravessar o país com o filho doente, sem renda e sem cama. É disso que estamos falando.
A edição chegou num momento de virada para a organização. Em maio, o antigo Instituto Ronald McDonald trocou de nome e passou a se chamar Casa Ronald McDonald Brasil. Hoje são seis Casas funcionando e 11 Espaços da Família dentro de hospitais. O plano até 2030 prevê mais três Casas, seis novos espaços e a meta de atender 100 mil famílias. A primeira dessas novas Casas já está em obra em Goiânia, colada no Complexo Oncológico de Referência do Estado de Goiás, o CORA, e vai ser a primeira unidade do programa na região, a pouco mais de 200 quilômetros de Brasília.

O histórico ajuda a entender o tamanho da coisa. Desde 1999, a organização atendeu mais de 3,3 milhões de crianças e adolescentes, investiu mais de R$ 445 milhões em saúde, apoiou mais de 2.100 projetos em 111 instituições e treinou mais de 50 mil profissionais e estudantes da área. Só em 2025, foram mais de 104 mil hospedagens e 480 mil refeições servidas. A CEO Bianca Provedel resumiu a noite dizendo que os R$ 1,5 milhão fazem parte de uma história de 17 edições e que agora a ideia é chegar a mais famílias pelo Brasil.
Fiquei feliz de ver tanta gente com dinheiro e influência sentada numa mesma sala por uma causa que funciona, com número para mostrar. E Ana, se você estiver lendo: me retorna. O vestido eu devolvo, juro.