Na terceira cena com close no pescoço, Kátia pegou o telefone e ligou direto para quem resolve guarda-roupa de personagem que paga boletos com vilania: Amora Mautner, a mãe de todos!
Do outro lado da linha, Amora ( diretora de Quem Ama Cuida) nem fingiu surpresa. Já atendeu rindo, porque a novela mal tinha ido ao intervalo e o Instagram dela parecia saque de loja em liquidação, todo mundo querendo o tal coração dourado da Fábia. A diretora explicou, com a calma de quem vê as tendências nascerem na sala de caracterização, que a peça-desejo é uma gargantilha de coração folheada a ouro, com pingente pavê duplo, toda microcravejada de zircônias e contornada em lapidação baguete, aquele brilho fino que faz a câmera da novela trabalhar mais que ring light de blogueira. Não é joia de cofre suíço, mas também não é biju de fast fashion: é aquele tipo de semijoia que a novela transforma em objeto de desejo nacional em dois capítulos.
Amora contou que a parceria por trás do pescoço da Fábia não nasceu ontem. A mesma grife já apareceu em vilã de novela passada, em golpista estilosa de trama anterior, e agora volta com força tanto em “Quem Ama Cuida” quanto em outras produções da casa, sempre no pescoço de personagem que precisa comunicar riqueza, autoestima e cartão de crédito no limite. A ideia para Fábia era criar um “colar-assinatura”, que o público reconhecesse de longe: mix de correntes com corações em diferentes tamanhos, pavê duplo, pingente com a palavra “amor” e pulseira de elo português fazendo par, tudo conversando com o figurino de dondoca que vive para ser vista. Cada look entra em cena já desenhado para virar print, pasta de referência e print de WhatsApp para a prima da ótica.
Enquanto isso, no mundo real, o tal colar já saiu da ficção e virou boleto. O modelo está à venda no e-commerce da marca, com variações de coração liso ou cravado, faixa de preço que cabe naquele parcelamento amigo que faz a classe média se sentir convidada para o mesmo camarote da novela. As buscas pelo acessório disparam, sites de moda destrincham o figurino, e as fundadoras da joalheria comemoram o colar de Fábia como prova viva de que um bom merchandising de personagem vale mais do que muita campanha fria. O pescoço da dondoca virou vitrine ambulante em horário nobre.
Da cama do Cosme Velho, Kátia encerra a ligação com Amora Mautner olhando para o próprio porta-joias e pensando que, se novela manda usar coração pavê folheado, o Brasil vai obedecer sem reclamar. Porque nessa história só tem uma coisa mais certeira do que capítulo com morte misteriosa: é close em colar de mocinha ou dondoca, que transforma qualquer gargantilha bem posicionada na nova paixão nacional em doze vezes sem juros.