O telefone começou a vibrar que nem brinquedo eletrônico na véspera de Natal. O assunto: o Coco Bambu, aquela catedral do camarão na manteiga, resolveu processar o Porta dos Fundos. Mandei áudio pra todo mundo e avisei: essa história tem mais camadas do que o pastelão de mariscos do cardápio deles.
O estopim foi uma fala do Gregório Duvivier no podcast “Não imPorta”, onde ele insinuou, em tom de humor, que o restaurante teria copiado identidade e cardápio de um concorrente. O Coco Bambu foi à Justiça pedindo R$ 25 mil por danos morais e a retirada do conteúdo do ar. Até aí, qualquer empresa faz. O problema é que a legaltech DeltAI foi lá, vasculhou o histórico judicial das duas partes, e o que ela encontrou é que ação contra o Porta dos Fundos por vídeo e entrevista, historicamente, vai parar no arquivo.

O Porta dos Fundos já virou campeão nessa categoria de processo: marcas, empresas e até organizações religiosas já tentaram a sorte na Justiça contra o grupo, e a tendência que os dados mostram é de improcedência ou extinção do pedido, porque o Judiciário tem entendido o conteúdo como humor e liberdade de expressão. A Heineken, que acionou o grupo por um vídeo criticando o mercado publicitário, também foi pra casa de mãos abanando.
Mas o plot twist que ninguém estava esperando é o raio-x do próprio Coco Bambu: a empresa acumula cerca de 450 processos judiciais, sendo aproximadamente 350 trabalhistas. Quatrocentos e cinquenta. A Cátia aqui, que não é juíza nem CLT, mas tampouco é ingênua, entendeu rapidinho que antes de entrar na briga pública com um grupo de humor famoso, talvez valha colocar essa conta na balança.
No fim das contas, a jurimetria entregou o que o bom senso já murmurava: processar comediante por piada em podcast tem lá suas dificuldades, mas ter 350 processos trabalhistas enquanto pede R$ 25 mil por dano de imagem é o tipo de estratégia que parece mais catarse corporativa do que cálculo jurídico. Que o camarão seja a parte mais bem resolvida dessa história.