A Kátia Flávia chegou na academia com o Wi-Fi do personal ainda carregando. No meio do treino, antes de a esteira terminar de aquecer, o treinador chegou com a pergunta que o Brasil todo está fazendo: “É verdade que a CNN vai pra TV aberta?”. A Kátia abaixou o volume do fone, respirou fundo e respondeu o que já circulava nos bastidores desde a semana passada: “Meu bem, isso não é rumor não. Está na coluna do Gabriel Vaquer, na Folha de S.Paulo.”
A informação veio da coluna Outro Canal, assinada por Gabriel Vaquer. A CNN Brasil negocia com emissoras locais para montar uma rede nacional de TV aberta, seis anos depois de ter nascido restrita à televisão por assinatura. O plano prevê lançamento do sinal em cerca de 20 capitais, com contratos já encaminhados para cidades como São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Curitiba, Florianópolis, Belo Horizonte e Vitória.

A expectativa é que a estreia aconteça no segundo semestre de 2026, período que antecede as eleições presidenciais. Caso ocorram ajustes operacionais, o projeto pode ser empurrado para o início de 2027.
Por trás da expansão está Rubens Menin, empresário mineiro que construiu sua trajetória à frente da MRV Engenharia, ampliou sua presença no setor financeiro com o Banco Inter e, em 2020, entrou de vez no mercado de comunicação ao lançar a CNN Brasil. Desde então, a emissora atravessou mudanças societárias, reformulações internas, troca de executivos e reestruturações, mas manteve o plano de crescimento.
A meta agora é ambiciosa. Com presença na TV aberta, a projeção é alcançar entre 80 e 100 milhões de brasileiros, ampliando de forma significativa o alcance da marca no país.
O movimento acontece em um momento estratégico. Em março de 2026, a CNN Brasil registrou um de seus melhores desempenhos de audiência na TV paga e passou a disputar espaço de forma mais equilibrada com a GloboNews, principal referência do jornalismo de notícias na televisão brasileira. Nos bastidores do mercado, a avaliação é que a entrada na TV aberta representa uma nova etapa dessa disputa.
A expansão também reforça uma tendência observada no setor: a busca por novos formatos de distribuição de conteúdo em um cenário em que televisão aberta, TV por assinatura, streaming e plataformas digitais convivem de forma cada vez mais integrada.
Se o projeto sair do papel dentro do cronograma previsto, a chegada da CNN Brasil à TV aberta pode representar uma das mudanças mais relevantes do mercado de notícias dos últimos anos. E uma coisa é certa: quando um empresário do porte de Rubens Menin decide ampliar sua presença na comunicação, dificilmente está pensando pequeno.