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Kátia Flávia
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Clau lança “Vou Dar” e inaugura fase mais sexy antes do 1º álbum

A cantora Clau abriu a nova fase da carreira com o single “Vou Dar”, faixa que antecipa seu primeiro álbum de estúdio e aposta em pop urbano com bachata. O lançamento, acompanhado de visualizer gravado em São Paulo, embala uma narrativa de liberdade, sensualidade e superação amorosa em pleno Mês da Mulher.

Kátia Flávia

13/03/2026 11h00

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O novo single da cantora traz uma uma narrativa de liberdade, sensualidade e superação amorosa em pleno Mês da Mulher. (Foto: Divulgação)

Eu vou confessar uma coisa, meus fofoqueiros. Eu tenho um fraco absoluto por artista que resolve voltar para a mesa com salto, gloss e um recado muito claro na testa. E foi exatamente essa a sensação que eu tive quando vi Clau abrir os trabalhos da nova era com “Vou Dar”, título que já entra na sala sem pedir licença, puxa a cadeira e ainda rouba a melhor luz do ambiente. Eu pausei o café, olhei para o teto e pensei: pronto, a menina cansou de fazer figuração no feed dos outros e resolveu dirigir o próprio close.

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Foto: Divulgação

A movimentação vem com contexto, e contexto é a vitamina da fofoca bem apurada. Clau, que ganhou projeção nacional com faixas como “Pouca Pausa” e “Cigana”, está preparando o primeiro álbum de estúdio da carreira e usa esse single como disparo inicial de uma fase mais quente, mais livre e mais confessional. A música nasceu de um término recente, segundo a própria cantora, e fala daquele momento em que a pessoa já passou pelo luto amoroso e decide trocar a cara de enterro pela cara de perigo. Eu respeito profundamente uma artista que entende o timing da própria narrativa, porque carreira pop também é edição de personagem, meu bem.

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Foto: Divulgação

Na prática, “Vou Dar” vem embalada por uma mistura de pop urbano com bachata, produção de DMAX e um flerte muito calculado com ritmos latinos, essa prateleira que segue seduzindo mercado, streaming e pista de dança. Clau diz que queria trazer essa sonoridade para a própria música porque enxerga semelhança com ritmos brasileiros, e essa fala faz sentido. Tem um calor ali, uma malícia leve, uma vontade de dançar sem preencher formulário. Nada de faixa pesada com trauma pendurado no lustre. A proposta é divertida, sensual e assumidamente solar, com aquele espírito de quem saiu do término e foi direto comprar roupa para sair. E eu, que já cometi o erro de sofrer de moletom por tempo demais, achei corretíssima a linha editorial.

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Foto: Divulgação
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Foto: Divulgação

O lançamento chega num momento simbólico também. Em pleno Mês da Mulher, Clau apresenta uma faixa que trabalha autonomia feminina sem transformar isso em palestra, e graças aos céus pop por isso. Tem artista que confunde liberdade com slogan de caneca corporativa. Aqui, a ideia parece vir mais do corpo do que do briefing. A personagem da música quer curtir, quer viver, quer se meter num entretenimento afetivo com prazo curto de validade e consciência plena do próprio desejo. É uma abordagem mais esperta do que a velha cartilha da sofrência ornamental. A moça terminou, sobreviveu e agora quer dançar. Acho civilizado.

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Foto: Divulgação

E tem mais. O visualizer dirigido por Fernando Mencocini, gravado na Matilha Cultural, em São Paulo, aposta justamente nessa gramática de calor brasileiro que a faixa promete. Mesa de bar, cerveja, flerte, corpo balançando no ritmo, verão como estado de espírito. Uma estética simples, mas funcional, dessas que entendem que sedução boa não precisa de dez drones, cinquenta figurantes e conceito escrito em caixa alta. Às vezes basta acertar o clima. Eu mesma, se me largam numa mesinha de bar com iluminação decente e um ventilador amigo, já acho que a vida tem direção de arte.

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Foto: Divulgação

O que me chama atenção nessa história toda é o desenho de carreira. Clau voltou à cena em 2024 com o EP “TIPO EU”, que trouxe faixas como “TUTTI FRUTTI”, “LIVRE, LEVE E LOUCA” e “ESTRANHO”, e agora parece expandir essa retomada com mais apetite de álbum, mais confiança estética e mais clareza de posicionamento. Isso importa. O pop brasileiro vive de talento, algoritmo e insistência, uma combinação que às vezes parece roteiro rejeitado pela HBO por excesso de crueldade. Então ver uma artista costurando a nova fase com conceito, som e imagem coerentes me desperta uma simpatia imediata, ainda que eu mantenha meu ceticismo de perua traumatizada pela indústria.

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Foto: Divulgação

Clau tem história para sustentar esse passo. Gaúcha de Passo Fundo, começou nos covers no YouTube, chamou atenção da indústria, assinou com a Universal Music e foi construindo uma identidade que passeia por pop, R&B e hip hop com naturalidade. Também acumulou performances marcantes, como o show na Casa Natura Musical, e chega agora a esse momento com uma base digital considerável, mais de 2 milhões de ouvintes mensais no Spotify e mais de 300 mil seguidores no Instagram. Esses números ajudam, claro, mas eu sempre digo ao meu comitê de análise afetiva e artística que número sem narrativa é planilha com ring light. O público pode até chegar pelo stream, mas fica pela sensação de que existe uma artista ali, não um PowerPoint com refrão.

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Foto: Divulgação

A impressão que fica com “Vou Dar” é a de uma cantora tentando assumir, com mais coragem, o corpo inteiro da própria persona. Tem sensualidade, tem leveza, tem pós término tratado com ironia e vontade de viver, e tem uma pista de álbum vindo aí que pode finalmente organizar a trajetória dela em formato maior, mais ambicioso e mais revelador. Eu gosto quando uma era começa com intenção clara. Fica menos cara de improviso, menos cara de “vamos ver no que dá”, e mais cara de mulher que abriu a porta da festa sabendo exatamente por que entrou.

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Foto: Divulgação

Eu terminei essa audição com aquela sensação rara de quem viu uma artista arrumar a câmera no ângulo certo da própria história. Clau está vendendo liberdade com ritmo, desejo com refrão e recomeço com quadril, que é uma combinação muito mais inteligente do que muita gente imagina. E cá entre nós, meu amor, se o álbum vier com a mesma convicção com que “Vou Dar” chegou, a moça pode finalmente ocupar o lugar que muita gente já prometia para ela havia tempo demais

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