Domingo aqui no Cosme Velho e ja estou no segundo café quando o grupo das fofoqueiras políticas entrou em combustão total. A notícia vinha do Ceará, mas o barulho chegou até aqui com cheiro de família rica em reunião de inventário: Cid Gomes declarou publicamente que não vai apoiar o irmão Ciro nas eleições. Palavras dele, microfone aberto, sem assessoria para segurar.
A declaração foi feita na sexta-feira (24/4), em Pedra Branca, num evento de pré-candidatura do PSB à Assembleia Legislativa do Ceará. Cid foi direto: o irmão Ciro, agora filiado ao PSDB, está alinhado a partidos que o senador classifica como adversários históricos do seu campo, o mesmo que sustenta o governador Elmano de Freitas (PT). Sem drama, sem negociação, sem janela aberta.
O racha entre os dois não é novidade: a divisão na família Ferreira Gomes virou capítulo nacional em 2022, e desde então cada um foi para o seu lado. Ciro confirmou candidatura ao Palácio da Abolição, está articulado com o campo de Tarcísio de Freitas e deve definir uma eventual candidatura presidencial só na segunda quinzena de maio. Cid foi candidato a governador há 20 anos apoiado exatamente pelos partidos que hoje sustentam Elmano, e não pretende mudar de faixa na estrada.
Nas redes, a declaração de Cid viralizou rápido. O X ferveu com comparações a novela das nove, memes de família em churrasco e gente lembrando que os dois já foram aliados em momentos decisivos da política cearense. O silêncio da equipe de Ciro sobre a declaração do irmão estava, até o fechamento desta coluna, sendo mais eloquente do que qualquer nota.
A frase que ficou foi essa: “Ele é maior de idade e sabe.” Dito assim, com a calma de quem não precisa mais discutir, tem mais peso do que qualquer discurso de palanque. Família que construiu décadas de protagonismo político no Nordeste, agora com porteira fechada em declaração pública, numa sexta-feira, em Pedra Branca. O Brasil transforma laço de sangue em adversário eleitoral com uma facilidade que daria inveja a qualquer roteirista de horário nobre.