Gente, eu estou aqui em Ibiza, deitada numa espreguiçadeira que custa mais que aluguel de cobertura no Leblon, quando o telefone vibra com um dossiê chegado direto do Brasil. E olha, eu quase derramei o espumante. A cerveja, sim, aquela mesma que todo mundo trata como coadjuvante de churrasco, virou o ativo mais cobiçado do varejo nacional. Faturou R$ 13 bilhões nos últimos doze meses encerrados em junho, uma alta de 17% sobre o mesmo período do ano anterior. Isso não é cerveja, minha gente, isso é IPO de sucesso.
Quem entregou esse vazamento não foi nenhuma ex-BBB chorando em rede social, foi a Pesquisa CREST, da Gouvêa Inteligência, a espiã oficial do consumo brasileiro, aquela que sabe o que o público bebe antes até do próprio público perceber. E o relatório vem carregado de fofoca com planilha: enquanto o faturamento subiu bonito, o número de transações caiu 3%, para 369,2 milhões. Traduzindo o economês para linguagem de camarim: o brasileiro comprou cerveja menos vezes, mas pagou mais caro em cada rodada. Fazendo as contas de festa aqui na minha calculadora mental, isso representa um aumento de quase 20% no valor médio de cada compra. A cerveja não perdeu audiência, ela só subiu de patamar, tipo aquela celebridade que reaparece rejuvenescida e cobra o triplo pelo mesmo cachê.

E tem treta de canal de venda também, porque essa novela tem elenco disputando espaço. As refeições noturnas concentram 60% do consumo, o horário nobre da bebida, sem concorrência. Os bares levam 33% do total, mantendo o título de point VIP da categoria, enquanto supermercados e hipermercados ficam com 15%, comportados na prateleira, torcendo por um recasting. Se isso fosse reality, o boteco seria o brother favorito do público e o mercado seria aquele participante estratégico que nunca é eliminado, mas também nunca vence o prêmio.
No perfil de quem consome, o roteiro é bem definido. A faixa entre 35 e 59 anos responde por 66% da categoria, o público fiel que não muda de canal nem sob pressão de patrocinador. Os homens seguem concentrando 61% do consumo, mantendo aquele protagonismo de sempre, meio óbvio, meio previsível, tipo herdeiro que só aparece na herança porque nasceu com sobrenome certo.
E o motivo de tanta fidelidade, gente, não é paixão, é rotina disfarçada de romance. A conveniência é apontada por 54% dos consumidores, e o hábito por 53%, sendo que esse hábito cresceu 14% na comparação entre os dois períodos. Ou seja, o brasileiro não está namorando a cerveja, está numa relação estável, sem crise, sem climão, só aumentando o orçamento mensal sem perceber.
Com o Dia Internacional da Cerveja, celebrado em 7 de agosto de 2026, eu já reservei meu brinde daqui de Ibiza. Porque enquanto uma treta acontece no conselho de alguma fintech, o boteco brasileiro fecha trimestre com resultado de dar inveja a CEO de startup. E isso, meu bem, é o verdadeiro poder por trás do balcão.