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Kátia Flávia
Kátia Flávia

Cerveja vira ativo de luxo e fatura R$ 13 bilhões no Brasil

Aqui de Ibiza, taça na mão, recebi o boletim que prova: o boteco brasileiro aprendeu a cobrar mais caro e ainda lotar. A cerveja faturou R$ 13 bilhões, cresceu 17% e virou o ativo mais desejado da Faria Lima informal, mesmo vendendo menos vezes.

Kátia Flávia

03/08/2026 13h30

A cerveja movimentou R$ 13 bilhões no Brasil e mostrou que o consumidor está comprando menos vezes, mas gastando mais em cada visita ao bar.

A cerveja movimentou R$ 13 bilhões no Brasil e mostrou que o consumidor está comprando menos vezes, mas gastando mais em cada visita ao bar.

Gente, eu estou aqui em Ibiza, deitada numa espreguiçadeira que custa mais que aluguel de cobertura no Leblon, quando o telefone vibra com um dossiê chegado direto do Brasil. E olha, eu quase derramei o espumante. A cerveja, sim, aquela mesma que todo mundo trata como coadjuvante de churrasco, virou o ativo mais cobiçado do varejo nacional. Faturou R$ 13 bilhões nos últimos doze meses encerrados em junho, uma alta de 17% sobre o mesmo período do ano anterior. Isso não é cerveja, minha gente, isso é IPO de sucesso.

Quem entregou esse vazamento não foi nenhuma ex-BBB chorando em rede social, foi a Pesquisa CREST, da Gouvêa Inteligência, a espiã oficial do consumo brasileiro, aquela que sabe o que o público bebe antes até do próprio público perceber. E o relatório vem carregado de fofoca com planilha: enquanto o faturamento subiu bonito, o número de transações caiu 3%, para 369,2 milhões. Traduzindo o economês para linguagem de camarim: o brasileiro comprou cerveja menos vezes, mas pagou mais caro em cada rodada. Fazendo as contas de festa aqui na minha calculadora mental, isso representa um aumento de quase 20% no valor médio de cada compra. A cerveja não perdeu audiência, ela só subiu de patamar, tipo aquela celebridade que reaparece rejuvenescida e cobra o triplo pelo mesmo cachê.

E tem treta de canal de venda também, porque essa novela tem elenco disputando espaço. As refeições noturnas concentram 60% do consumo, o horário nobre da bebida, sem concorrência. Os bares levam 33% do total, mantendo o título de point VIP da categoria, enquanto supermercados e hipermercados ficam com 15%, comportados na prateleira, torcendo por um recasting. Se isso fosse reality, o boteco seria o brother favorito do público e o mercado seria aquele participante estratégico que nunca é eliminado, mas também nunca vence o prêmio.

No perfil de quem consome, o roteiro é bem definido. A faixa entre 35 e 59 anos responde por 66% da categoria, o público fiel que não muda de canal nem sob pressão de patrocinador. Os homens seguem concentrando 61% do consumo, mantendo aquele protagonismo de sempre, meio óbvio, meio previsível, tipo herdeiro que só aparece na herança porque nasceu com sobrenome certo.

E o motivo de tanta fidelidade, gente, não é paixão, é rotina disfarçada de romance. A conveniência é apontada por 54% dos consumidores, e o hábito por 53%, sendo que esse hábito cresceu 14% na comparação entre os dois períodos. Ou seja, o brasileiro não está namorando a cerveja, está numa relação estável, sem crise, sem climão, só aumentando o orçamento mensal sem perceber.

Com o Dia Internacional da Cerveja, celebrado em 7 de agosto de 2026, eu já reservei meu brinde daqui de Ibiza. Porque enquanto uma treta acontece no conselho de alguma fintech, o boteco brasileiro fecha trimestre com resultado de dar inveja a CEO de startup. E isso, meu bem, é o verdadeiro poder por trás do balcão.

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