A CBF abriu uma investigação interna para descobrir quem vazou informações sobre viagens pessoais de Samir Xaud. Segundo Lauro Jardim, em O Globo, a apuração já resultou na demissão de dois funcionários do setor financeiro, enquanto o presidente da entidade segue sob acusação de ter bancado deslocamentos internacionais de familiares e de uma suposta amante com dinheiro da confederação, algo que ele nega.
Eu ainda estava em Botafogo, naquela parte do almoço em que a sobremesa vira debate de comissão parlamentar, quando esse bastidor da CBF apareceu no celular. Minha filha, eu larguei o cardápio na hora. Porque quando a entidade que deveria estar explicando viagem começa demitindo gente do financeiro por vazamento, o cheiro não é de cafezinho administrativo. É de lavanderia funcionando em modo centrifugação.

O caso não nasceu agora. Em junho, a imprensa internacional já repercutia uma denúncia revelada no Brasil por Leo Dias no “Melhor da Tarde”, da Band. Segundo a apuração citada pelo jornal sueco Aftonbladet, Samir Xaud teria articulado uma viagem de luxo para Nova York para Camila Cristina Andrade, apontada como suposta amante do dirigente, enquanto a Seleção Brasileira se preparava para a Copa do Mundo.
Camila teria ficado oito dias em uma suíte de luxo em Manhattan, com conta de R$ 59.424,81. O mesmo relato afirma que a despesa teria sido paga inicialmente com dinheiro da CBF. Depois de ser confrontado, Xaud teria apresentado comprovante indicando que assumiu a fatura com recursos próprios. A CBF, por sua vez, negou uso indevido de verba e disse que todas as despesas bancadas pela entidade têm ligação direta com atividades institucionais.
Só que a história tem mais camadas do que planilha de federação em ano de Copa. Aftonbladet também registrou que, segundo as denúncias, Xaud teria organizado a agenda para evitar que a esposa e a suposta amante se cruzassem nos Estados Unidos. A mulher apontada como affair teria deixado Nova York em 10 de junho, e no dia seguinte o dirigente apareceu com a esposa na abertura do Mundial, no México.
É aí que a fofoca vira crise de gestão. Porque uma coisa é boato de bastidor, outra é a CBF apurar vazamento no setor financeiro e mandar dois embora. Quando a tesouraria começa a virar personagem da novela, a pergunta deixa de ser só “quem viajou?” e passa a ser “quem pagou, quem sabia e quem deixou rastros?”.
A nota de Lauro Jardim acrescenta outro tempero explosivo: dentro da CBF, há suspeita de que Ednaldo Rodrigues, destituído da presidência da entidade em 2025, estaria voltando a se movimentar nos bastidores. Ou seja, além da crise moral, tem guerra política na casa do futebol brasileiro. É suposta amante de um lado, ex-presidente do outro e funcionário do financeiro caindo no meio do campo sem direito a VAR.

A CBF parece mais preocupada em descobrir quem abriu a cortina do que em explicar o espetáculo inteiro. Samir Xaud nega as acusações, a entidade nega irregularidades, mas a demissão de dois funcionários mostra que a história ainda está longe do apito final. E se tem uma coisa que Brasília, Rio de Janeiro e bola sabem fazer bem é transformar vazamento em dossiê, dossiê em crise e crise em queda de braço.