Eu já estava atrasada para a academia, descendo as escadas de casa no Cosme Velho com uma garrafa d’água numa mão e o celular na outra, quando li que Carol Lekker está deixando o Fofocalizando. Até aí, vida que segue. Gente entra e sai de televisão desde que inventaram a televisão.
O problema foi quando cheguei ao motivo.

Segundo a coluna de Fábia Oliveira, do Metrópoles, Carol estaria insatisfeita com sua situação financeira no programa. Ela receberia cerca de R$ 10 mil mensais e o valor não seria suficiente para que se mantivesse. A decisão já teria sido comunicada ao SBT, e seu último dia na atração será nesta sexta-feira (11).
Parei na porta. Academia que espere.
Porque reclamar de salário é um direito absolutamente legítimo. Negociar cachê também. Pedir aumento, procurar emprego melhor, agradecer e ir embora, idem. Agora, transformar uma passagem de poucos meses por uma das maiores emissoras do país numa espécie de boletim público de insatisfação financeira é de uma discrição comovente.
E ainda existe um detalhe: Carol seria a única integrante do atual time de apresentadores que não faz merchandising durante o Fofocalizando. Ou seja, os tais R$ 10 mil seriam apenas o salário informado pela coluna, sem a renda adicional que ações comerciais podem representar para quem está diariamente diante das câmeras.
Mas o que me espanta mesmo é a velocidade dessa história. Carol foi oficializada no programa em fevereiro, assinou contrato com o SBT em março e, em setembro, já está indo embora. Seis meses. Nem deu tempo de decorar onde guardam o adoçante no camarim.
Ela chegou à emissora embalada pela projeção conquistada em A Fazenda. Depois, em agosto, veio a confusão envolvendo Eliana. Carol ironizou a apresentadora no ar, houve repercussão negativa, afastamento e pedido de desculpas. Voltou ao programa reconhecendo a importância de Eliana para o SBT e para a televisão brasileira.
Agora vem a saída, com salário no centro da narrativa publicada sobre o rompimento.
E aqui entra uma pergunta que me acompanhou até a academia: o SBT enxergou exatamente o quê quando decidiu transformar Carol Lekker em apresentadora de uma atração diária?
Porque televisão não é apenas colocar alguém conhecido diante de uma câmera. É repertório, timing, responsabilidade editorial, capacidade de improvisação e, principalmente, entender o tamanho da cadeira onde se sentou.
Carol tem todo o direito de achar R$ 10 mil pouco. Tem o direito de procurar algo que pague R$ 20 mil, R$ 50 mil ou R$ 100 mil. O mercado decide quanto vale cada profissional.

Mas sair poucos meses depois com o salário estampado na manchete é uma elegância tão sofisticada que eu quase perdi o treino tentando compreender.
No fim, consegui chegar à academia. Atrasada, evidentemente.
Mas pensando que talvez quem precise fazer musculação mesmo seja o departamento de contratação do SBT.