Gente, eu parei de rolar a tela. Carol Castro passou as gravações de Garota do Momento sentindo uma dor que ninguém via e que nem ela sabia explicar. Hoje a dor tem nome: fibromialgia. E ela não faz nenhum esforço para dourar a pílula. “Eu sinto dor 24 horas por dia. Tem dias que é mais, tem dias que é menos.”
O diagnóstico não caiu do céu. Foi uma maratona. Carol diz que já tinha feito uma quantidade absurda de exames de sangue e que vinha desde o ano anterior caçando todos os marcadores possíveis de doença. A resposta só chegou no consultório de um reumatologista, depois de uma avaliação que passou por histórico familiar, alimentação, hábitos e exame físico. A reação dela resume o que muita gente com dor crônica conhece bem: “Foi um certo alívio porque me deu um nome. Eu não tô doida.”
Agora vem a parte que muda a leitura da história. Na novela de 2024, Carol era Clarice, aquela personagem que perdeu a filha, perdeu a memória, teve problema cardíaco e foi parar numa clínica psiquiátrica. Exigência física e emocional no máximo. Enquanto isso, fora do set, a atriz arrumava explicação para tudo. A dor de cabeça era sinusite ou excesso de trabalho. O joelho doía porque Clarice andava de salto alto. Faz sentido. Até deixar de fazer.
E o pacote era mais pesado do que parecia. Meses antes de começar a novela, Carol tinha perdido o pai, o ator Luca de Castro, aos 70 anos, em 2023. Ela fala dele como melhor amigo e diz que virou atriz por causa dele. No mesmo período, carregava uma lesão no joelho sofrida durante as gravações de Jogo Cruzado, série da Disney. Parar não entrou na conta. As filmagens iam até antes das festas e voltariam em janeiro de 2024, e Carol diz que pensava nas mais de 100 pessoas que dependiam dela para o projeto terminar. A conclusão é dela mesma, sem rodeio: foi passando por cima da própria saúde, trabalhando com dor e tomando remédio atrás de remédio.
Repara num detalhe. A pergunta que mais chega para Carol não é sobre tratamento. É sobre emprego. Tem gente que a chama de corajosa e quer saber se ela não tem medo de deixar de ser escalada por causa da fibromialgia. Isso diz muito sobre como o meio ainda enxerga artista que adoece. A resposta dela é não. Carol diz que se sente honrada em usar o lugar de artista para informar e dar voz a uma doença que ainda carrega preconceito, e que encara isso quase como uma missão.
Hoje ela segue trabalhando, treina, cuida da prevenção e tenta identificar o que piora os sintomas. Contou que já precisou de medicação para ansiedade em alguns momentos e que não usa mais. Também lembra que a doença é bem mais comum em mulheres, justamente as que mais vestem aquele uniforme do “eu aguento, eu consigo”. Cura não existe. O que existe, segundo ela, é tratamento e aceitar que o corpo tem limite. E Carol fecha melhor do que eu fecharia: depois que você aceita, se sente um pouco livre.