Eu estava numa reunião de fundo quando a notícia chegou entre um gole de água e outro, a Carnan estreou nesta sexta no Caminho Niemeyer, em Niterói, e levou Marcelo D2, Valentina Herszage, Enzo Celulari e Dan Ferreira para prestigiar a primeira coleção da marca.
O nome do jogo aqui é licenciamento de prestígio. A Carnan fechou parceria com o Instituto Niemeyer, pegou emprestado o repertório visual do arquiteto mais citado da história da arquitetura brasileira e transformou curva, forma e volume em peça de vestir. A marca sai ganhando legitimidade instantânea, o instituto sai ganhando relevância cultural e visibilidade de público jovem. Ninguém perde no papel, mas quem banca a conta é sempre o consumidor lá na ponta.

Chamo o Instituto Niemeyer de fundo de private equity do modernismo brasileiro, porque é exatamente isso que ele faz, transforma acervo em ativo licenciável. E Marcelo D2 pode ficar com o apelido de embaixador de causa cara, ele não vai a desfile qualquer, só entra na roda quando o convite carrega peso simbólico de verdade.

Emprestar acervo de arquiteto para virar grife não é operação nova no mercado de moda, mas raramente vem com estreia tão barulhenta e tão ancorada num endereço que já é patrimônio.

Para quem lê e pensa em comprar peça da coleção, a conta é simples, roupa que carrega nome de instituto cultural embutido não sai barata, o valor agregado não está só no tecido, está na história que a etiqueta carrega. Quem procura preço de araba de shopping vai se decepcionar.

A Carnan não lançou coleção, lançou um argumento de posicionamento com nome de arquiteto assinando embaixo. Bonito, caro e calculado até o último parafuso.