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Kátia Flávia
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Carlinhos Maia leva cobrança de R$ 1 milhão por filmar gaivota em Noronha

Influenciador afirmou que apenas registrou em vídeo o momento em que uma ave foi alimentada por outra pessoa durante passeio de barco em Fernando de Noronha. Enquanto quem deu comida ao animal teria sido autuado em R$ 5 mil, ele diz ter recebido cobrança de R$ 1 milhão por suposta exploração da imagem da ave

Kátia Flávia

14/04/2026 12h18

Carlinhos Maia em Noronha | Créditos: Reprodução (Instagram)

Carlinhos Maia em Noronha | Créditos: Reprodução (Instagram)

Eu estava entre um café horroroso de aeroporto e uma ligação atravessada aqui na Europa, tentando viver minha vida de perua internacional com um mínimo de paz, quando me cai no colo o desabafo de Carlinhos Maia sobre Fernando de Noronha. E aí, meu amor, não teve prosecco que desse conta da perplexidade. Porque uma coisa é multa por alimentar ave silvestre, o que já é conhecido por lá. Outra coisa é o sujeito dizer que só filmou a cena, não deu comida para bicho nenhum, e receber uma cobrança de R$ 1 milhão. Aí já entramos na categoria babado jurídico com delírio tropical.

Segundo o relato de Carlinhos, tudo aconteceu em um passeio de barco, daqueles em que as aves acompanham a embarcação e o povo começa a agir como se estivesse num parque temático da própria empolgação. Pessoas que estavam com ele deram um pedaço de camarão para uma das aves, o barqueiro advertiu na hora que aquilo era proibido, e as postagens foram apagadas ali mesmo. Até aí, ele admite, caberia punição para quem alimentou o animal, algo na faixa dos R$ 5 mil. O escândalo veio depois. Carlinhos afirma ter sido surpreendido com um processo cobrando R$ 1 milhão, sob a alegação de uso indevido da imagem da gaivota e exploração animal. Sim, você leu direito, imagem da gaivota. A gaivota, sem assessoria, sem contrato, sem publi.

No bastidor digital, o que pesa agora é o próprio tom do desabafo dele. Carlinhos foi para os stories, falou longamente, disse estar chocado, chamou a medida de absurda e arbitrária, e ainda contou que já havia até gravado vídeo institucional para o órgão ambiental em outra ocasião, a pedido deles. Isso, no universo do feed, tem um valor simbólico imenso, porque cria aquele enredo delicioso de celebridade que colaborou, sorriu para a câmera, fez a boa praça, e depois se viu no papel de vilão oficial do arquipélago. Nas redes, o caso cresce justamente porque o valor de R$ 1 milhão produz a reação automática do público, que pode até não passar pano, mas arregala o olho. E com razão, porque entre admitir um erro administrativo e engolir uma cifra cinematográfica, existe um oceano inteiro.

Carlinhos sabe que o jogo público não se vence só no processo, se vence também na narrativa. Ao dizer que aceita uma punição justa, mas rejeita o tamanho da cobrança, ele tenta se reposicionar como alguém que errou por descuido, não por crueldade ou lucro em cima de animal. É uma estratégia boa, aliás. Ele não compra briga com a ideia de preservação ambiental, compra briga com a desproporção. E isso conversa com o público dele, que adora um excesso, mas odeia sentir que o castigo veio com dose de espetáculo.

No fim, a pergunta que ficou rodando aqui entre meu salto, meu casaco e minha paciência curtíssima foi a seguinte, quem exatamente calculou que um stories de gaivota valia R$ 1 milhão? Porque, convenhamos, em Noronha até o mar é caro, mas essa gaivota já está saindo com cachê de protagonista.

Confira o vídeo:

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