Eu tinha jurado que esse fim de semana em Petrópolis ia ser só lareira, fondue e fofoca leve, mas o telefone tocou cedo e era o Téo, meu informante de plantão no circuito do skate, ligando direto de Cuiabá com a voz já alterada. Ele me despejou os resultados da semifinal do STU National no Skatepark do Novo Parque Mato Grosso e eu larguei o café na mesa. Tem nome grande caindo e tem menina nova subindo, e eu não ia segurar isso até segunda.
O babado principal atende pelo nome de Pamela Rosa. A mulher que já foi campeã mundial, que carrega medalha e currículo de sobra, fez só 29,98 na bateria e ficou de fora da decisão deste domingo. No feminino quem passou com folga foi Maria Lúcia, líder do ranking, com um 86,03 de respeito, acompanhada de Bia Godoi, Isabelly Ávila, Duda Ribeiro, Manuella Moretti e Rafaela Murbach, todas garantidas na final.

O Téo me lembrou que Maria Lúcia não está passeando à toa. A gaúcha vem de título em Criciúma e Florianópolis, terceiro lugar em Porto Alegre, e chegou em Cuiabá como dona do ranking da temporada. No masculino, o líder Sebastian Simonetto, aquele paranaense que voltou de uma lesão séria, cravou o melhor desempenho dos homens, 83,44, com direito a Bomb Trick na linha. A pista nova é maior que as outras do Brasil, com obstáculo mais espalhado, e separou rapidinho quem veio para brincar de quem veio para ganhar.

E é aí que entra a tal Bia Godoi, 14 aninhos, nascida em Assis mas representando Florianópolis, na segunda etapa de STU da vida dela. A menina andou sóbria, elegante, tirou 82,75 e passou na frente de gente muito mais rodada. No mundo do skate, onde a Rayssa Leal já ensinou que talento não espera completar 18, ninguém mais subestima promessa de pista. A cena passou o sábado inteiro digerindo esse contraste entre a veterana que tropeçou e a estreante que decolou.
A decisão é hoje mesmo, domingo, com as finais rolando ao longo do dia em Cuiabá e a premiação fechando lá pela tarde no horário de Brasília. Maria Lúcia e Simonetto entram como favoritos, mas o sábado já provou que em skate ranking nenhum garante troféu. Eu fico aqui na varanda de Petrópolis de olho no celular, porque se a campeã mundial tomou esse susto na semi, a final promete entregar muito mais coração na boca do que pódio tranquilo.