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Kátia Flávia
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Camarote Salvador 2027 junta Mochakk e Ivete e mira o folião de R$ 16 mil

A Premium Entretenimento soma Vintage Culture e Carlinhos Brown ao lineup e cobra 54% a mais que o Camarote Brahma no passaporte masculino. E cinco atrações do evento também tocam no camarote vizinho.

Kátia Flávia

29/10/2026 18h00

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O Camarote Salvador anunciou novas atrações para o Carnaval 2027, com nomes que vão do axé à música eletrônica. (Foto: Divulgação)

Cosme Velho, 24 graus, céu nublado, o Cristo de cara amarrada na janela, e eu em chamada de vídeo com a turma de Salvador. Lá já é fevereiro desde setembro. No meio da reunião, o celular não parava: amiga perguntando em qual camarote eu vou ficar, outro querendo dividir voo. Derrubei o café na planilha quando chegou a notícia. O Camarote Salvador confirmou Vintage Culture, Mochakk, Carlinhos Brown, Alexandre Peixe, Pretinho da Serrinha, MC Leozinho, Diggo, Uel, Chamuska e Deekapz para o Carnaval 2027. Eles se juntam a Ivete Sangalo, Bell Marques, Léo Santana, Durval Lelys e Menos é Mais, de 4 a 9 de fevereiro, e a casa avisa que ainda vem mais gente.

O negócio funciona assim. O folião paga um ingresso só e leva tudo: open bar, open food que vai da comida baiana ao japonês e às opções veganas, SPA com massoterapeuta, salão de cabelo e maquiagem e customização de camisa. São mais de 13 mil metros quadrados, dois palcos e dois mirantes de frente para os trios do circuito Barra Ondina. A receita vem da bilheteria e das cotas de marca. Quem ganha são o artista, que recebe cachê de camarote, e a marca, que ativa para um público de alta renda. Quem perde são os camarotes vizinhos, que disputam o mesmo turista com o mesmo cartão de crédito.

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Foto: Divulgação

Os números dizem que o Camarote Salvador joga no topo da tabela. O ingresso feminino de um dia vai de R$ 2.220 a R$ 2.390, e o masculino de R$ 3.200 a R$ 3.550. O passaporte dos seis dias custa R$ 11.500 para mulheres e R$ 16.940 para homens. Eis o folião de R$ 16 mil. No Camarote Brahma, o pacote completo masculino sai por R$ 10.990, o que deixa o do Camarote Salvador 54% mais caro. Na quinta, o homem paga 44% a mais que a mulher. É precificação de balada aplicada ao Carnaval, e ninguém na Barra tem pudor nenhum disso.

No comando está Luciana Villas Boas, que eu chamo de planilheira do axé. Ela começou como estagiária do financeiro da Rede Bahia, passou 19 anos na emissora e assumiu a Premium Entretenimento em 2013. Ela conta que o lineup nasce da escuta dos clientes ao fim de cada edição, o que no dialeto da Faria Lima tem nome: pesquisa de satisfação virando curadoria. Ivete chega à terceira terça seguida e já merece crachá de residente. Durval Lelys volta pela segunda vez, e MC Leozinho retorna depois de sete anos.

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Foto: Divulgação

O episódio anterior dessa novela explica a jogada. Em 2024, a casa projetava movimentar mais de R$ 150 milhões na economia de Salvador, com 70 atrações, cerca de 90% de público vindo de fora e uma cadeia de 5 mil pessoas entre equipe e fornecedores. Em 2025, na edição de 25 anos, a H2bet virou patrocinadora master e bancou o palco eletrônico Salvador Club, com Alok, Vintage Culture, Mochakk, Blond:ish e Fatboy Slim. Vintage e Mochakk, portanto, voltam a uma casa que já conhecem.

Minha leitura é que o lineup foi montado como carteira de investimento. O axé é a ação de dividendo, que paga sempre: Bell, Ivete, Saulo, Brown. O eletrônico é o diferencial que justifica o preço. O pagode é a aposta de crescimento, com a estreia do Menos é Mais e de Pretinho da Serrinha. Mas a exclusividade tem limite. Menos é Mais, Léo Santana, Timbalada, Xanddy Harmonia e Saulo Fernandes também aparecem no lineup do Camarote Club 2027, que cobra a partir de R$ 1.440. Quando o artista toca nos dois lados da rua, o que se vende é a experiência em volta do show.

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Foto: Divulgação

No Radar da Kátia: a casa prometeu novos nomes, e o histórico de J Balvin em 2024 e Fatboy Slim em 2025 me faz apostar num headliner internacional para fechar o pacote. Fica como leitura minha, sem confirmação. Também vale ficar de olho no patrocinador master de 2027, que ainda não foi anunciado, e na meta de virar evento Lixo Zero em 2027, um argumento ESG que vale ouro na hora de vender cota para marca. Os rivais devem responder com anúncios de peso antes do Réveillon, e o preço tende a subir a cada lote.

Para quem lê, a conta é simples. Quem vai mais de um dia sai ganhando com o passaporte: R$ 11.500 dá cerca de R$ 1.917 por dia no feminino, contra R$ 2.220 da diária avulsa, e isso antes de pagar voo e hotel em plena alta temporada. Para quem tem marca, é um público majoritariamente turista e de bolso fundo, concentrado em seis dias. E para quem fica no sofá, o recado é que Mochakk e Ivete vão dominar os stories de fevereiro.

Veredito da Kátia: a Premium cobra preço de Copacabana Palace e entrega o pacote de um festival inteiro. Se o headliner internacional vier, o folião de R$ 16 mil ganha argumento. Se não vier, vira assunto de mesa no Jockey.

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