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Kátia Flávia
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Calendário dos “padres sexy” tem galã que nunca chegou perto do seminário

Souvenir famoso perto do Vaticano virou caso na Itália após revelação de que um de seus rostos mais conhecidos era modelo adolescente em ensaio de brincadeira

Kátia Flávia

24/05/2026 11h19

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Giovanni Galizia virou um dos rostos mais conhecidos do calendário dos “padres sexy” vendido em Roma.

O famoso calendário dos “padres sexy”, vendido há décadas como souvenir em Roma, ganhou uma revelação digna de confessionário turístico: um de seus principais modelos nunca foi padre, nunca frequentou seminário e hoje trabalha como comissário de bordo. Giovanni Galizia, de 39 anos, já apareceu em várias capas do “Calendario Romano”, mas tinha apenas 17 anos quando posou usando colarinho clerical em um ensaio que, segundo ele, nasceu como uma “brincadeira”.

Em Botafogo, todas as amigas estavam finalmente reunidas para um almoço clássico de domingo carioca: bolinho de bacalhau chegando na mesa, arroz de brócolis prometido, peixe grelhado em discussão, farofa de ovos sendo tratada como assunto de Estado e uma delas defendendo que caipirinha antes do meio-dia “não conta, porque domingo tem outra legislação”. Foi nesse cenário de fé gastronômica que apareceu a notícia dos falsos padres bonitões de Roma. A mesa inteira parou. Porque só a Itália mesmo para transformar souvenir perto do Vaticano em pegadinha estética com colarinho clerical.

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Modelo posou aos 17 anos com colarinho clerical, mas nunca foi padre nem frequentou seminário.

O “Calendario Romano” reúne doze retratos em preto e branco de homens usando trajes religiosos. O produto é vendido em Roma, especialmente em regiões próximas ao Vaticano, e virou item popular entre turistas. Apesar da aparência, o calendário não tem vínculo com o Vaticano nem com a Igreja Católica.
Galizia contou que nunca foi sacerdote. Ele posou ainda adolescente, usando o colarinho clerical, e acabou se tornando um dos rostos mais conhecidos do calendário. Com o tempo, sua imagem foi reaproveitada em diferentes edições, ajudando a alimentar a fama do souvenir entre visitantes.

O fotógrafo Piero Pazzi, criador do projeto, afirmou à Associated Press que parte dos modelos da edição mais recente pertence de fato ao clero, mas reconheceu que muitos dos retratados não são religiosos. A revelação ganhou força na Itália após reportagem do jornal “La Repubblica”, que sugeriu que o item poderia ser descrito com mais precisão como um calendário de “falsos padres”.

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“Calendario Romano” é vendido como souvenir perto do Vaticano, sem vínculo com a Igreja Católica.

Os responsáveis pelo calendário negam que a proposta tenha sido enganar o público. Galizia e Pazzi afirmam que o projeto tinha caráter artístico, sem intenção de fazer os compradores acreditarem que todos os modelos fossem sacerdotes de verdade.

Na mesa, uma amiga quis saber se isso anulava a compra como lembrança religiosa. Outra disse que falso padre bonito ainda é melhor que imã de geladeira feio. Eu, entre um bolinho de bacalhau e uma crise de riso, só pensei que Roma inventou o golpe mais educado do turismo: você acha que levou um calendário de sacerdotes, mas pode ter comprado um ensaio de modelo com figurino litúrgico. Pecado eu não sei. Mas marketing, meu amor, foi.

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