Cristian Cravinhos, condenado por assassinato e suborno no caso Richthofen, prometeu ampliar seu conteúdo adulto com roupas femininas, incluindo uma calcinha fio-dental de renda preta. Segundo a coluna True Crime, de O Globo, o primeiro ensaio deve ser gravado em uma banheira de hidromassagem de motel.
Eu já tinha terminado uma chamada com Brasília, empurrado três papéis para dentro de uma pasta vermelha e estava escolhendo qual óculos usar para sair rumo ao próximo compromisso, quando esse bilhete apareceu. E, meus amores, eu achei que a manhã já tinha entregado tudo. Aí veio Cristian Cravinhos, calcinha fio-dental, banheira de motel e Alexandre Frota como inspiração artística. O Brasil realmente não permite tédio.

A ideia de Cristian é reproduzir uma cena da série Tremembé, do Prime Video, em que o personagem inspirado nele aparece usando a peça íntima durante o relacionamento com outro detento, Ricardo de Freitas Nascimento, conhecido como Duda.
O detalhe delicioso da contradição é que, quando a série foi lançada, Cristian negou o episódio. Na época, reclamou que o público estava preocupado com uma calcinha e disse que tudo era mentira. Agora, pelo visto, a calcinha deixou de ser incômodo e virou possibilidade de faturamento.
Segundo O Globo, ele já está procurando em lojas femininas um modelo semelhante ao mostrado na produção. Antes de gravar, ainda consultou os seguidores: “Vocês acham que eu devo usar uma calcinha?”. A reação teria sido positiva.
Eu parei com o óculos escuro no meio do rosto, porque essa pergunta sozinha merecia uma comissão parlamentar da baixaria. Cristian transformou uma cena que negava em enquete, produto, figurino e promessa de motel. É o marketing do constrangimento com recibo via Pix.
Cristian produz conteúdo adulto há cerca de um mês. Até agora, tem feito gravações solo, mas pretende ampliar o repertório conforme os pedidos dos assinantes. Ele afirmou que uma de suas referências é Alexandre Frota.
“Ele se declara heterossexual, mas já transou com homens gays e travestis em filmes pornôs. E ainda se elegeu deputado federal”, disse Cristian, chamando a trajetória de “brilhante”.
E aqui eu quase deixei a pasta cair. Porque quando um condenado pelo caso Richthofen olha para a carreira adulta de Frota e enxerga planejamento de futuro, a fofoca já ultrapassou a fronteira do absurdo e pediu residência fixa.
A parte financeira também chamou atenção. Cristian diz ter faturado R$ 30 mil nos primeiros 15 dias vendendo conteúdo adulto. Segundo ele, 78% do público é formado por homens, principalmente gays, e o restante por mulheres.
Além da plataforma Privacy, Cristian passou a negociar parte do material diretamente pelo WhatsApp, recebendo pagamentos via Pix. A estratégia começou depois de um problema no Instagram, quando ele divulgou o próprio telefone nos stories para não perder compradores.
Outro pedido recorrente dos assinantes seria uma colaboração com Duda, ex-namorado de Cristian em Tremembé. Ele afirma receber mais de 50 pedidos por dia para que os dois gravem juntos. Por enquanto, descarta a ideia e chama o ex de mau-caráter, mas deixou uma brecha aberta.
“Sou uma pessoa bem flexível”, justificou.
Eu fechei a pasta vermelha e respirei fundo, porque essa frase, nesse contexto, não precisava ter existido, mas existiu. Cristian Cravinhos pode até dizer que ainda não quer gravar com Duda, mas já entendeu que o público está comprando não só conteúdo adulto. Está comprando o delírio inteiro: crime real, série de streaming, calcinha, motel, banheira e o maior “como chegamos aqui?” da semana.

Cristian cumpre pena em regime aberto, o que permite que permaneça fora da prisão desde que siga as condições impostas pela Justiça. A venda de conteúdo adulto, segundo a reportagem, não viola essas regras.
A história é esta: ele negou a calcinha, depois perguntou se deveria usar, agora procura a peça, planeja banheira de motel e já conta dinheiro. Se Tremembé queria retratar o absurdo do real, Cristian resolveu provar que a realidade ainda sabe escrever cenas mais inacreditáveis.