Minhas filhas, eu quase derrubei minhas sacolas da cama! Depois de passar o dia inteiro fazendo compras em Lisboa, finalmente cheguei ao meu quarto no Tivoli Avenida Liberdade. São 24 graus por aqui, estou organizando minhas compras e resolvi conferir a previsão do tempo. Foi quando descobri que uma startup brasileira chamada Cachola Tech está desenvolvendo uma tecnologia para tornar as informações meteorológicas muito mais específicas. Eu, que consulto o clima antes de escolher até o sapato, fiquei interessadíssima!
A empresa criou o Astrus, uma plataforma de inteligência meteorológica que pretende aproximar as previsões das necessidades de empresas, produtores rurais e gestores públicos. A proposta é combinar dados climáticos disponíveis com informações captadas por sensores próprios. Porque uma previsão para uma cidade inteira pode ser insuficiente para quem precisa decidir se vai irrigar uma plantação, transportar mercadorias ou proteger uma operação de uma tempestade.

E quem está por trás dessa empreitada é Jardhel Cachola, engenheiro eletricista formado pela Unicamp e fundador da Cachola Tech, criada em 2025. O empresário desenvolveu uma plataforma que já permite consultar gratuitamente informações como temperatura, umidade e probabilidade de chuva pelo navegador. O próximo movimento envolve a implantação de pequenas estações meteorológicas chamadas MAJU, equipadas com sensores e conexão Wi-Fi. Cada dispositivo foi projetado para monitorar condições atmosféricas em pontos específicos.
Agora prestem atenção na jogada empresarial! A proposta de monitoramento hiperlocal pode interessar ao agronegócio, ao setor de seguros e às empresas de logística. Um produtor rural pode utilizar informações mais detalhadas para planejar a irrigação. Uma transportadora pode avaliar riscos de chuva intensa. Uma seguradora pode incorporar dados climáticos à análise de exposição de determinados territórios. Existe potencial comercial, mas a empresa ainda precisa demonstrar a precisão e a escala de sua tecnologia.
E aqui entra a parte que fez minha cabeça de jornalista de negócios funcionar. A camada de monitoramento hiperlocal ainda está em desenvolvimento. Neste momento, o Astrus utiliza dados meteorológicos públicos, e a expectativa é ampliar a cobertura conforme novas estações sejam instaladas. Portanto, ainda seria precipitado anunciar uma revolução comprovada na precisão das previsões. Quero conhecer os testes, os indicadores de desempenho e os resultados obtidos em condições reais. Tecnologia boa precisa sobreviver à auditoria, minhas queridas!
Outro detalhe chamou minha atenção. A Cachola Tech prepara sua expansão internacional a partir da Holanda. É uma ambição interessante para uma empresa brasileira tão jovem, especialmente porque dados climáticos e gestão de riscos são necessidades presentes em diferentes mercados. Mas expansão internacional exige adaptação tecnológica, estrutura comercial e capacidade de operação. O passaporte europeu pode abrir portas; o modelo de negócios precisa conseguir atravessá-las.
E qual é o tamanho da oportunidade? A startup ainda não apresentou, no material divulgado, números de faturamento, contratos comerciais ou investimentos captados. Por isso, qualquer avaliação financeira seria especulação. O que existe é uma proposta tecnológica com aplicações possíveis em setores que dependem diretamente das condições meteorológicas. Se a rede de sensores conseguir entregar informações confiáveis e economicamente viáveis, o Astrus poderá encontrar um mercado relevante.

Agora vou terminar de organizar minhas compras, porque Lisboa continua me esperando. Mas já deixei a Cachola Tech no meu radar empresarial. A ideia de transformar dados meteorológicos em inteligência para decisões comerciais merece acompanhamento. Só espero que Jardhel consiga prever uma coisa que nenhum aplicativo resolveu até hoje: o momento exato em que uma mulher entra num shopping para comprar uma blusinha e sai com sete sacolas. Isso, minhas filhas, nem a inteligência artificial explica!