A Globo conseguiu entrevistar Gusttavo Lima durante a Festa do Peão de Barretos depois de apostar em André Piunti, jornalista especializado em música sertaneja e já conhecido pelo cantor. A escolha foi estratégica: o Embaixador tinha resistências à emissora e ainda não havia confirmado se aceitaria falar durante o evento.
Eu tinha acabado de entrar no elevador de casa, com a unha recém-feita e a bolsa pendurada no ombro, quando li a história. E precisei rir. Porque a Globo não mandou repórter qualquer para tentar convencer Gusttavo Lima. Mandou o homem que entende do sertanejo, já conversou com ele em podcast e tinha chance real de não receber um “não, obrigado” antes da primeira pergunta.

A relação entre Gusttavo e a emissora ficou estremecida em 2024, quando o Fantástico exibiu reportagens sobre uma investigação que envolvia o cantor. Depois, segundo o Portal Leo Dias, ele foi inocentado pela Justiça e chegou a cogitar processar a Globo por não receber um pedido público de desculpas.
Ou seja: não era só chegar com microfone, pedir entrevista e sorrir. Era preciso encontrar uma brecha. E a Globo encontrou André Piunti, um dos comunicadores mais próximos do universo sertanejo, que já havia recebido Gusttavo em seu podcast no ano passado.
Saí do elevador ainda pensando que isso é praticamente diplomacia de camarim. A emissora usou o contato certo, no evento certo, com o entrevistador certo. Não foi entrevista, foi reconciliação assistida com microfone do Globoplay na mão.
A estratégia funcionou. Gusttavo aceitou conversar com Piunti e ainda participou da transmissão do próprio show em Barretos. O cantor voltou ao evento como embaixador depois de três anos e foi um dos grandes nomes da programação, então ficar sem uma fala dele teria sido um buraco enorme na cobertura.

No fim, a Globo não precisou fingir que a mágoa nunca existiu. Só contornou o problema com alguém que o cantor conhece e respeita. É o famoso “não vamos pedir para ele falar com a emissora, vamos pedir para ele conversar com aquele amigo que trabalha na emissora”.
Entrei em casa e larguei a bolsa na cadeira, porque a lição de Barretos estava dada: em televisão, às vezes não ganha quem tem o maior microfone. Ganha quem sabe exatamente para quem entregar o microfone.