Eu estava saindo de uma reunião chatíssima na Faria Lima, sobre alocação de fundo imobiliário, já de mala no porta-malas, rumo a Campos do Jordão, quando o áudio da assessoria de imprensa chegou anunciando o retorno físico da Bravo!, e eu literalmente parei no meio da calçada antes de entrar no carro.
O fato: a revista Bravo!, referência em jornalismo cultural há trinta anos, lança uma nova fase com projeto editorial e gráfico renovado, mantendo a produção digital diária e trazendo de volta a edição impressa, agora trimestral, acompanhando as estações do ano. Alice Granato, diretora de núcleo da Bravo! e da VEJA São Paulo, é quem assina o discurso oficial, falando em desacelerar a leitura como resposta ao ritmo do digital, mas sem abandonar o legado da marca.
Sobre bastidor editorial, o produto vem com identidade visual pensada com cuidado. Cada editoria ganha cor própria para facilitar a navegação, entra a coluna Atemporal, dedicada à memória da cultura, e o impresso passa a incluir gastronomia ligada à arte e viagem como bagagem cultural. No digital, a marca segue com cobertura diária, incluindo documentário sobre a viagem de Chico Buarque a Cuba e cobertura completa do Prêmio BTG Pactual da Música Brasileira.

Aqui vai minha leitura de quem acompanha reposicionamento de marca de perto: revista que aposta em objeto colecionável, trimestral, com cor por editoria e viagem de Chico Buarque como isca de conteúdo, está claramente mirando o leitor que cansou de scroll infinito e quer status de estante. É jogada de nicho premium, não de audiência de massa, e isso é decisão de quem entende que cultura também vira ativo de marca.
Fecho essa aqui com estilo, já entrando no carro para subir a serra: papel virou luxo de novo, e quem visse isso há dez anos iria rir. Hoje, é a Bravo! provando que, às vezes, o passado é a fintech mais rentável do mercado editorial, e eu vou é provar fondue em Campos do Jordão enquanto isso.