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Kátia Flávia
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Brasileiro que escreveu no Gray’s Anatomy lança livro sobre família judaica

Andy Petroianu, primeiro pesquisador da América Latina a assinar um capítulo na bíblia da medicina mundial, publica “Emigrados”, romance-relato sobre a saga da família Goldsten Petroianu desde a Ucrânia do século XIX até o Brasil. E esta coluna quase perdeu o voo por causa disso

Kátia Flávia

24/04/2026 18h00

Professor Andy Petroianu lança livro ficcional baseada na emigração de sua família | Foto: Centro de Comunicação Social – CCS / Faculdade de Medicina da UFMG

Professor Andy Petroianu lança livro ficcional baseada na emigração de sua família | Foto: Centro de Comunicação Social – CCS / Faculdade de Medicina da UFMG

Estava já com a mala no porta-malas do táxi, a caminho do aeroporto de Bari para pegar o voo para Roma, quando o Bruno me mandou esse release no e-mail e eu pedi pro motorista encostar. Não encostar metafórico, não: encostar de verdade, na beira da estrada, com o taxímetro rodando e eu segurando o telefone com as duas mãos feito doida. Gray’s Anatomy. Brasileiro. Família judaica. Livro. Quem me conhece sabe que não existe combinação mais certeira para me fazer perder a hora.

Andy Petroianu, Professor Titular de Cirurgia da UFMG e Chefe do Serviço de Cirurgia Geral do Hospital Santa Casa de Belo Horizonte, é o primeiro pesquisador da América Latina a escrever para o Gray’s Anatomy, a publicação médica mais respeitada do planeta, tendo assinado o capítulo sobre baço. Com mais de 500 artigos e 26 livros publicados, ele lança agora “Emigrados: Memórias de uma Família”, obra de 484 páginas que navega entre romance e relato histórico para preservar a saga da família Goldsten Petroianu.



A história começa na Ucrânia do século XIX, quando a família é forçada a fugir para escapar do recrutamento compulsório pelo exército russo, que levava crianças judias ao campo de batalha. O protagonista Iancheve foge da aldeia de Iaruha, é adotado pela família Zuckerman e passa a ser chamado de Iancu, nome com o qual constrói uma vida inteira: casamento, ofício de relojoeiro, filhos, netos, relações com figuras históricas e, finalmente, a chegada ao Brasil. O livro documenta essa trajetória com fotografias reais dos antepassados, transformando memória familiar em registro histórico de uma diáspora que marcou séculos.

O contexto do lançamento não poderia ser mais carregado de significado. “Emigrados” chega num momento em que a história dos judeus forçados a se dispersar pelo mundo volta ao centro do debate global, e faz isso pela via mais humana possível: uma família específica, com nomes, rostos e endereços, no lugar de estatísticas e generalizações. O livro custa R$ 149,90 e está disponível pela editora Del Rey.
Aqui da janela do táxi, já me atrasando para o voo, só consigo pensar numa coisa: o homem escreveu na bíblia dos médicos e ainda achou energia para escrever a bíblia da própria família. Eu mal consigo fechar a mala.​​​​​​​​​​​​​​​​

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