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Kátia Flávia
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Brasileira morta na Espanha: família contesta suicídio e aponta namorado

Gisele Meira, curitibana de 32 anos, foi encontrada morta em Oliva, Valência, em 30 de março, e a versão inicial de suicídio virou pó diante das contradições do namorado. A família quer perícia completa, quer o corpo de volta, e quer respostas

Kátia Flávia

17/04/2026 12h00

Gisele vivia na Espanha desde dezembro do ano passado, com o namorado Joel Lewandowski

Gisele vivia na Espanha desde dezembro do ano passado, com o namorado Joel Lewandowski

Eu estava aqui em Bari quando o caso Gisele Meira chegou até mim, e desde então não consigo mais pensar em outra coisa. Uma mulher brasileira, 32 anos, cheia de planos, foi para a Espanha tentar uma vida nova e acabou morta dentro de um quarto alugado em Oliva, na região de Valência. A família não aceita a versão de suicídio. E depois de ler tudo o que se sabe, eu também não consigo aceitar em silêncio.

Gisele vivia na Espanha desde dezembro do ano passado, com o namorado Joel Lewandowski. O casal caiu em um golpe imobiliário e acabou dividindo apartamento com outros dois homens, em um ambiente que ela própria descrevia com medo para familiares e amigos. Em 30 de março, Joel saiu para academia e mercado e voltou, segundo ele, para encontrá-la já sem vida dentro do quarto. Ela estava parcialmente sem roupas, suspensa por uma corda de varal. Os socorristas registraram como aparente suicídio.

A mãe de Gisele, Eliane Theodoro, ouviu a notícia pelo celular da filha, numa mensagem de Joel que a chamou de “sogrinha”.

As contradições que vieram depois são o que tornam esse caso tão pesado. No mesmo dia da morte, Joel assinou novo contrato de aluguel em outro endereço. Deixou todos os pertences de Gisele para trás. Semanas depois, voltou ao Brasil sem quitar dívidas, sem comunicar a imobiliária, usando o telefone dela para se comunicar com a família. Em entrevistas, diz não acreditar no suicídio, mas foi sob essa hipótese que o caso tramitou nas primeiras horas. A família aponta esse intervalo como o momento em que provas podem ter se perdido, porque ninguém acionou a polícia imediatamente após a descoberta do corpo.

A família contratou advogados no Brasil e na Espanha. Conseguiram que as autoridades espanholas abrissem investigação formal e incluíssem os outros dois moradores do apartamento no escopo das apurações. Agora pedem que todos os exames periciais sejam concluídos, inclusive para verificar se houve violência física ou sexual antes da morte. O corpo de Gisele segue retido na Espanha, aguardando o laudo definitivo. Eliane Theodoro ainda não pôde velar a filha em Curitiba. Essa frase, por si só, diz tudo sobre o tamanho da dor dessa família.

Gisele Meira era descrita por quem a conhecia como alegre, trabalhadora e determinada. Ela foi para a Espanha acreditando num recomeço. O que o caso dela expõe, além das circunstâncias da própria morte, é a vulnerabilidade brutal de brasileiros que imigram sem rede de apoio, caem em golpes imobiliários e ficam presos em situações que não conseguem controlar. A família pede que o Itamaraty e o consulado brasileiro se movam com urgência. Eu, aqui de Bari, só quero que o nome de Gisele não vire mais um número arquivado. Ela merece resposta. A mãe merece enterrar a filha.

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