Domingo mal raiou e eu já estava na cama, aqui em Petrópolis, com o notebook quente em cima do edredom e o cabelo numa bagunça que nem touca de banho salva. Tinha planejado dormir até tarde na serra e fugir do calor carioca, mas o telefone tocou cedíssimo. Era o Juninho, meu xerê de plantão no Parque São Jorge, quase sem fôlego: “liga o radar, Kátia, o Timão fechou com site de safadeza”. Lá se foi meu domingo de preguiça.
O babado é dos grandes. O Corinthians assinou na sexta, pela caneta do presidente Osmar Stabile, um patrocínio com a Fatal Fans, plataforma de conteúdo adulto por assinatura, no valor de R$ 22 milhões. O acordo vale até o fim de 2027 e pode chegar a R$ 31,28 milhões com renovação. A marca vai estampar o calção do masculino, a traseira do uniforme do basquete e a barrinha da camisa do futsal.
E olha que essa gente não chegou de paraquedas no Parque São Jorge. O contrato saiu pela Atlas Technologies, a mesma empresa que toca a Fatal Fans e a famosíssima Fatal Model, aquela das placas que já piscaram na Neo Química Arena entre 2022 e 2023 e de uma doaçãozinha de R$ 200 mil para a campanha Doe Arena dos Gaviões. A grife do ramo adulto já carimbou Vila Nova, Operário, Vitória, Ponte Preta e meio Brasileirão da Série B. No anúncio com o Operário quem deu as caras foi a Andressa Urach, então de discreto o setor não tem nadinha.
A parte que me derrubou de vez da cama foi o vídeo do Stabile mandando recado aos sócios. O homem, todo solene, soltou um “use o punho pelo Corinthians” que virou meme antes de eu terminar o café. Enquanto isso, conselheiros e sócios fervidos já cozinham pedido de impeachment do presidente, alegando que a Fiel não merecia ver o manto colado num site picante. No feminino, atletas e diretoria sentaram para conversar e bateram o martelo: o espaço do uniforme das Brabas não leva logo nenhum, vai estampar campanha contra assédio e violência doméstica.
Eu, que já vi patrocinador de cerveja e de banca de aposta desfilar nesse futebol, confesso que essa me arrancou uma gargalhada na serra. O Timão precisava de caixa para bancar basquete, futsal e o futebol feminino, e foi buscar dinheiro onde tinha, com 60% da bolada caindo nos primeiros 90 dias. Romântico ninguém chamou de romântico, mas que paga as contas, ah, paga. Vou no meu café gelado e fico de olho no telefone, porque com a Fiel nessa história a novela ainda tem muito capítulo.