Eu estava na minha casa no Cosme Velho, terminando o café e já de olho na agenda da semana, quando o telefone tocou com gente da família Bauducco do outro lado da linha. Sabe aquela ligação animada de verdade, daquelas que você entende na hora que vem novidade grande? Foi assim, e eu larguei tudo para ouvir o que a turma do panetone tinha para me contar.
E não é pouca coisa, meus amores. A Bauducco acaba de inaugurar a maior fábrica dela nos Estados Unidos, em Zephyrhills, na Flórida, com um investimento de US$ 200 milhões. São quase 300 mil metros quadrados que dobram a capacidade de produção da marca e devem gerar cerca de 600 empregos quando tudo estiver rodando a todo vapor.
A jogada vem em três fases, e a primeira começa agora, em junho, focada nos wafers de chocolate, baunilha, morango, coco e até a versão zero açúcar. A segunda chega no fim do ano com mini panetone e chocottone, e aqui mora o babado suculento, porque a Bauducco vira a primeira empresa a fabricar panetone em solo americano. Num país onde a marca já segura 86% da categoria, produzir localmente é praticamente plantar bandeira e mandar recado.
Para quem acha que isso brotou do nada, eu lembro a história: a Bauducco está nos Estados Unidos há mais de vinte anos e abriu a primeira fábrica em Miami lá em 2018. De lá para cá virou a empresa que mais movimenta carga pelo Porto Everglades, em Fort Lauderdale, o que já dava a dica do tamanho do apetite. A casa fundada em 1952 e que mora em oito de cada dez lares brasileiros decidiu que queria o mesmo carinho dos gringos.

O CEO da unidade internacional, Stefano Mozzi, fez questão de comemorar dizendo que esse é um novo capítulo importante para a marca, e olha que a tal da fase 3 só está marcada para 2030. Fabricar ali dentro corta custo de importação, encurta prazo e ainda deixa a Bauducco mais ligeira que a concorrência num mercado que não perdoa lerdeza. O aviso para os outros gigantes do biscoito ficou bem claro, e nenhum deles vai dormir tão tranquilo.
Eu, que já vi marca brasileira sonhar grande lá fora e voltar com o rabo entre as pernas, confesso que dessa vez fiquei impressionada. A turma do panetone está fazendo no capricho, com dinheiro no caixa e estratégia na manga. Daqui a pouco o americano larga o cupcake pelo chocottone e nem vai entender direito como foi parar nessa.