A CBF pediu ao staff de Neymar as medidas para a produção da roupa oficial dos convocados da Seleção Brasileira, e eu ainda tentava sair da Vieira Souto para almoçar como uma pessoa funcional quando o celular começou a gritar Copa. Já tinha passado de duas da tarde, minha mesa tinha virado central de crise, e eu estava entre chamar o carro ou pedir qualquer coisa que viesse com salada, quando a mensagem chegou: “Kátia, pediram a roupa do menino.” Minha filha, em ano de Mundial, pedir medida de terno não é detalhe. É quase anúncio com fita métrica.
Segundo a CNN Brasil, a CBF solicitou ao staff de Neymar os números necessários para a produção da “roupa dos convocados”, uniforme especial que será usado pela delegação na viagem aos Estados Unidos, onde o Brasil fará sua preparação e disputará as três primeiras partidas da Copa do Mundo.
O pedido foi tratado como um forte indicativo de que o camisa 10 do Santos estará entre os 26 nomes que serão anunciados por Carlo Ancelotti nesta segunda-feira (18). Oficialmente, a convocação ainda não havia sido divulgada no momento da informação. Mas bastidor de seleção, meu amor, também fala por alfaiataria.

A roupa dos jogadores e da comissão técnica será assinada pelo estilista Ricardo Almeida, parceiro antigo da CBF. A ideia é criar uma unidade visual para a delegação, respeitando a diferença entre atletas e comissão. Para os técnicos, a proposta segue a alfaiataria clássica, com costumes de dois botões, camisas brancas e gravatas coordenadas.
Já os jogadores terão uma linha mais jovem, batizada de RA2, com calças amplas, modelagem desconstruída e caban como peça-chave da coleção. A peça foi desenvolvida sem estruturas internas ou ombreiras, priorizando conforto e movimento. As camisetas serão em fio Pima, e os calçados em camurça completam a composição.
O detalhe que faz o bastidor ferver é o timing. Neymar apareceu após a derrota do Santos para o Coritiba usando traje verde e amarelo, em meio à expectativa pela lista de Ancelotti. Nos últimos dias, o jogador também afirmou que fez o máximo para estar em condições de disputar a Copa, enquanto torcedores, influenciadores e até patrocinadores aumentaram a pressão pública por sua convocação.
Agora entra a parte que Brasília, Rio e CBF fingem não saber, mas toda colunista experiente entende: ninguém pede roupa sob medida para quem está totalmente fora dos planos. Pode ser precaução? Pode. Pode ser logística? Também. Mas pedir medidas de Neymar, às vésperas da lista, é o tipo de gesto que não passa despercebido nem por quem finge neutralidade.

A cor escolhida para a roupa também tem seu charme de novela institucional: uma lã fria italiana em tom mescla que mistura azul e verde, num petróleo suave e acinzentado. Até o forro foi personalizado para conversar com a paleta e carregar o brasão da CBF.
E aqui está o babado: enquanto o Brasil inteiro espera Ancelotti abrir a boca, a CBF já estaria costurando o figurino de viagem do camisa 10. Convocação oficial é no microfone. Mas, às vezes, o vazamento vem no cabide.
Eu finalmente levantei da mesa com fome, celular na mão e a certeza de que esta segunda-feira não ia me deixar mastigar em paz. Porque quando a Seleção pede as medidas de Neymar antes da lista, o país entende o recado: ainda não é anúncio, mas já tem cheiro de embarque.