Voltei da academia no Leblon toda dolorida, jurando que o Aprazível de ontem tinha sido a última extravagância da semana, e mal pisei em casa o telefone já tocava. Era uma fonte minha de São Paulo, dessas que circulam pelos corredores das emissoras com o ouvido colado na parede, me entregando o capítulo novo da novela dos debates presidenciais. Larguei a vitamina na pia e liguei o modo coluna, porque briga de emissora é o meu programa predileto.
O babado é o seguinte: o Grupo Bandeirantes fechou acordo com a Jovem Pan, que agora entra no pool que vai transmitir o primeiro encontro dos candidatos ao Planalto, marcado para 16 de agosto. Com a novata na mesa, o debate sai simultaneamente por Band, Cultura, Gazeta e Jovem Pan, e o embate de segundo turno fica para outubro. Rodolfo Schneider, que toca o jornalismo da Band, vendeu a união como serviço à democracia, e Fernando Pelegio, da Jovem Pan, fez questão de dizer que entra orgulhoso ao lado de gente de história e credibilidade. Tradução da coluna: ninguém quer ficar de fora da audiência gorda que um debate desses garante.
E olha que essa mesa a Band arruma faz tempo. A tradição de soltar o primeiro confronto dos presidenciáveis vem desde 1989, e neste ano o grupo começou a costurar a cobertura ainda em janeiro, em reunião com os representantes das siglas. Em julho estreia o programa semanal Band Eleições pra esquentar o assunto, com os debates de agosto já cravados no calendário e o YouTube somado à transmissão. Quem acompanha a casa sabe que parceiro novo é naco a mais de público numa eleição que promete render pano pra manga.
Agora a parte que ninguém comenta em voz alta mas todo mundo enxerga: a Globo está vendo essa coalizão se montar lá de fora, com aquele ar de quem não se abala por pouco. Do outro lado do tabuleiro, um pool rival já junta CNN Brasil, SBT, RedeTV e companhia para setembro, e a Record ainda costura o debate dela com o Estadão. A disputa pelo presidenciável no palanque virou queda de braço entre emissora, e o eleitor que decida em qual controle remoto vai parar. Nas redes, a turma já afia os memes esperando o primeiro tropeço ao vivo.
Pois eu fico aqui com minha vitamina esquentando na pia, achando a maior graça da cena. Band montando exército, Jovem Pan entrando de braço dado, Cultura e Gazeta completando o time, e a maior emissora do país fazendo cara de paisagem como se palanque de agosto não desse ibope. Vai dar, e muito, e a coluna fica de olho pra ver quem ri por último nessa novela de bastidor que de política tem só o palco e de fofoca tem o resto.