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Kátia Flávia
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Até no leito de morte: Elizabeth estava trabalhando poucas horas antes de morrer

Biografia revela que a rainha seguia despachando documentos da famosa “caixa vermelha” nos últimos dias de vida e ainda cuidou pessoalmente de decisões da Coroa

Kátia Flávia

27/07/2026 14h05

Rainha Elizabeth II seguiu recebendo documentos oficiais até os últimos dias de vida

Rainha Elizabeth II seguiu recebendo documentos oficiais até os últimos dias de vida

A rainha Elizabeth II trabalhou até poucas horas antes de morrer, em setembro de 2022. Segundo o biógrafo Robert Hardman, ela continuou recebendo e devolvendo a famosa “caixa vermelha”, maleta diária com documentos que só o monarca pode analisar e assinar. A última chegou ao secretário depois da morte dela, com papéis rubricados, anotações e cartas endereçadas a ele e ao então príncipe Charles.

Depois da manhã inteira entre apuração, ligação e salão, eu finalmente sentei na cozinha de casa e pedi delivery. Cozinhar? Minha filha, impossível. Enquanto escolhia o almoço no aplicativo, apareceu a história da Elizabeth trabalhando deitada, já no fim da vida, e eu quase cancelei o pedido por vergonha de reclamar da minha agenda.

Hardman conta que a equipe tentou aliviar os compromissos da monarca nos últimos meses, mas havia assuntos que dependiam exclusivamente dela. “Esse era o dever dela, e ela entendia isso. E gostava disso”, afirmou o autor. Na última caixa, Elizabeth decidiu nomes para a Ordem do Mérito, sublinhou indicados e fez observações pessoais. A mulher estava literalmente encerrando a própria vida sem largar a caneta.

E tem o detalhe que transforma dever de Estado em fofoca de palácio: ela deixou uma carta para Charles. O conteúdo não foi divulgado, mas o gesto mostra que, entre documentos oficiais e decisões da Coroa, a rainha também organizou a parte íntima da despedida. Nada de sumir em silêncio e deixar o povo tentando adivinhar o que fazer depois.

O biógrafo também revelou que Elizabeth se dava bem com Donald Trump. O primeiro encontro dos dois, em 2018, estava previsto para durar 15 minutos e passou de quase uma hora. “Trump claramente adorava a rainha. Ele tinha muito respeito por ela”, disse Hardman, acrescentando que Elizabeth gostava de “pessoas com personalidade”, não de políticos tímidos e travados.

Na mesa, porém, a soberana era bem menos aventureira do que se imagina. Ela evitava comida picante e jamais comia espaguete em eventos oficiais, porque considerava o prato arriscado demais diante de 200 convidados olhando. Dois cubos de gelo eram colocados sobre a fatia de limão no copo para que a fruta não escapasse. Monarquia é isso: império, protocolo e uma guerra silenciosa contra o limão boiando.

Meu delivery chegou e eu fiquei pensando que a Elizabeth provavelmente encerraria uma reunião de Estado antes de abrir a embalagem. Ela morreu com 96 anos, depois de sete décadas no trono, e conseguiu transformar até a última semana em expediente. A caixa vermelha voltou para o secretário, mas o recado já estava dado: a rainha só saía de cena depois de resolver tudo.

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