Minhas filhas, eu mal tinha terminado de organizar minhas compras no hotel aqui em Lisboa quando apareceu uma notícia capaz de fazer meu coração de colecionadora bater mais depressa! As irmãs Mariana e Carolina Sodré Santoro estão preparando um leilão com mais de 100 obras de arte brasileira. Eu quase abandonei minhas sacolas no chão! Porque vocês sabem que, quando o assunto é arte, luxo e uma boa disputa por peças desejadas, eu perco completamente a compostura. Já estou de olho no dia 21 de outubro!
O evento se chama “Novos Olhares” e reúne trabalhos de mais de 60 artistas, entre nomes consagrados e talentos emergentes. A seleção passeia pela fotografia, serigrafia, escultura e diferentes expressões contemporâneas. O leilão será realizado presencialmente e pela internet, a partir das 19h, na Casa Sodré Santoro, na Avenida Brasil, 478, em São Paulo. Ou seja, mesmo daqui de Portugal, posso acompanhar os lances sem precisar comprar outra passagem aérea. Meu cartão agradece. Por enquanto.

E prestem atenção na lista de convidados desse verdadeiro baile das artes! Mario Cravo Neto, Billy Saes, Daniela Suplicy, Gabriel Wickbold e Valentino Fialdini aparecem entre os nomes da seleção. Também estão presentes artistas como Andy Hope, Abdiel Vicente, Antony Pedroso, Ciccy Halpern, Rômulo Fialdini, Vera Martins, Ana Kesselring e Ivone Shirahata. A curadoria é assinada pelo fotógrafo Rômulo Fialdini em parceria com As Leiloeiras. É um encontro de diferentes gerações e linguagens que merece atenção.
Agora vem a parte que interessa ao mercado. Mariana e Carolina trabalham com uma proposta que combina arte, luxo, economia circular e consumo consciente. Ao reunir obras de artistas estabelecidos e novos talentos em um mesmo leilão, as empresárias criam uma oportunidade de exposição para quem está construindo carreira e de aquisição para colecionadores interessados em ampliar seus acervos. O formato também permite que compradores conheçam produções de diferentes períodos e estilos.

E eu gosto particularmente dessa mistura. Porque o mercado de arte tem seus códigos, seus círculos de relacionamento e suas barreiras de entrada. Colocar nomes reconhecidos ao lado de artistas emergentes pode ampliar a visibilidade de novos trabalhos. Mas não confundam prestígio com valorização garantida, minhas queridas! Uma obra pode ter importância artística sem necessariamente apresentar retorno financeiro. Para quem pretende investir, procedência, conservação, autenticidade, estimativas e histórico de mercado precisam entrar na análise.
Outro detalhe importante é a participação social. Segundo a organização, parte da renda arrecadada será destinada à Universidade do Amor. A iniciativa acrescenta uma dimensão beneficente ao evento, embora o material divulgado não informe o percentual da arrecadação que será revertido. E vocês sabem que eu adoro uma boa ação, mas também gosto de números completos. Transparência é um acessório que nunca sai de moda!

A estratégia das irmãs Sodré Santoro merece atenção porque aproxima diferentes públicos do universo dos leilões. A possibilidade de participar pela internet reduz a necessidade de presença física, enquanto a diversidade de artistas amplia as opções para quem deseja adquirir uma obra. O resultado comercial, evidentemente, dependerá dos lances, da demanda e dos valores alcançados. Até o momento, o material não apresenta estimativa de arrecadação.
Agora vou confessar: já estou curiosíssima para conhecer melhor o catálogo. E quero acompanhar esse leilão de Lisboa, porque a tecnologia finalmente permitiu que uma mulher apaixonada por arte pudesse disputar uma peça brasileira sem abandonar seu quarto de hotel.

VALENTINO FIALDINI – Cubo Lego – Impressão em papel algodão – Crédito: Divulgação/ As Leiloeiras
Meu veredito? Mariana e Carolina acertam ao colocar gerações diferentes na mesma vitrine e associar o evento a uma proposta de circulação de obras e incentivo a novos artistas. Só espero conseguir manter a elegância quando começar a disputa.
Porque uma coisa é apreciar arte com sofisticação. Outra é descobrir que alguém deu um lance maior no quadro que eu queria.
Aí, minhas filhas, até a Mona Lisa perderia aquele sorriso!