A apresentadora egípcia Sarah Khalifa foi condenada à morte por enforcamento por um tribunal do Cairo, junto com outros 11 réus, acusados de integrar um esquema de fabricação e tráfico de drogas. Conhecida por comandar o programa policial “Mission Impossible”, ela nega participação no caso e sua defesa deve recorrer da decisão.
Eu tinha levantado do sofá para trocar o gelo do copo d’água quando li a sentença e parei com a mão na torneira. Não existe deboche possível diante de uma condenação à morte, minhas filhas. É uma história de peso, com versões graves e um desfecho judicial que ainda não está encerrado.
Segundo a acusação, o grupo atuava de forma organizada e teria usado dois apartamentos como laboratório. As autoridades afirmaram ter apreendido mais de 750 quilos de entorpecentes e insumos, além de armas e munições sem licença.

Sarah ficou conhecida na TV justamente por abordar segurança e crimes. Também mantém uma clínica de estética e uma empresa de produção de eventos. Eu voltei para o sofá com o copo renovado e fiquei pensando no tamanho da virada: de rosto de programa policial a protagonista de um processo que mobilizou o país.
Em depoimento no ano passado, a apresentadora afirmou que nunca tinha visto drogas antes de ser levada aos escritórios de combate a narcóticos, onde, segundo sua versão, foram feitas fotos dela ao lado do material apreendido. Ela sustenta inocência e contesta a acusação.

A sentença foi emitida após consulta ao Grande Mufti do Egito, etapa prevista em casos de pena capital no país. Isso, porém, não impede recurso nem encerra automaticamente o caminho judicial. Sete acusados foram absolvidos e outros nove receberam prisão perpétua.
Eu deixei o copo na mesinha e desliguei a televisão por uns minutos, porque tem notícia que pede silêncio antes de qualquer comentário. A defesa de Sarah agora terá de tentar reverter uma decisão que transformou uma figura conhecida da TV egípcia no centro de um dos casos mais duros do país.