Cristian Cravinhos pediu desculpas após a repercussão de um vídeo promocional de conteúdo adulto em que apareceu com maquiagem de olho roxo e um taco de madeira em cena. Nas redes, o material foi associado ao assassinato de Manfred e Marísia von Richthofen, crime pelo qual ele e o irmão, Daniel Cravinhos, foram condenados em 2002.
Eu estava sentada com Marcela Bittar no lobby do Fasano, já ouvindo as primeiras informações da reunião, quando vi a retratação. Baixei o celular na mesa. Há assunto que não pede ironia, não pede deboche e não deveria sequer precisar de explicação.
No vídeo que provocou a revolta, Cristian aparece ao lado dos criadores Rafa Martinz e Tadala Fellas. O taco, o olho roxo simulado e a encenação de agressão fizeram internautas relacionarem a gravação à forma como o casal Richthofen foi morto.

Na retratação, Rafa Martinz afirmou que os envolvidos não pretendiam “agredir a sociedade” nem produzir uma referência ao caso. “Naquele momento foi uma brincadeira que a gente fez, a gente não quis relacionar ao caso que aconteceu. Então, a gente está aqui para pedir desculpa por isso”, declarou.
Cristian repetiu que sente vergonha do que aconteceu no passado e justificou sua presença no conteúdo com a necessidade de trabalhar. “Todo mundo sabe que eu tenho muita vergonha do que aconteceu no passado, mas eu preciso sobreviver”, afirmou. “Peço perdão, nunca foi nossa ideia fazer analogia ao caso Richthofen.”

Eu ouvi Marcela continuar falando sobre o camarote, mas aquela frase ficou atravessada. Sobreviver e trabalhar são direitos de qualquer pessoa. O ponto da reação pública foi outro: usar elementos que remetem a um crime brutal para promover conteúdo, ainda que os envolvidos neguem ter tido essa intenção.
O vídeo original foi retirado do ar, mas o pedido de desculpas não encerrou as críticas. A associação feita pelo público nasce justamente do histórico de Cristian e dos símbolos escolhidos para a gravação. Em casos assim, não basta dizer que era brincadeira quando a memória de vítimas reais está no centro da repercussão.
Guardei o celular e voltei à reunião. Fofoca tem limite, publicidade tem consequência e violência real não deveria virar ferramenta de divulgação. Essa é a parte que nenhuma retratação consegue apagar do debate.