Bruno Montaleone atravessa uma curva decisiva no cinema brasileiro. Depois de papéis que o consagraram junto ao público jovem, ele encontrou em “Homem com H” um território de maturidade artística ao dar vida a Marco de Maria, ex-companheiro de Ney Matogrosso. O filme se tornou fenômeno: mais de seiscentos mil ingressos vendidos no primeiro mês, presença em festivais internacionais e uma carreira vigorosa no streaming, chegando ao Top 10 global da Netflix. O êxito, mais do que ampliar a visibilidade do ator, o reposicionou como intérprete disposto a lidar com personagens que exigem delicadeza, entrega e memória afetiva.

Montaleone reconhece que o desafio era grande; a história de seu personagem resiste sobretudo em fragmentos e lembranças. A tentação da caricatura era evidente, mas o ator preferiu apostar em outro registro: “cheguei a imaginar que alguns holofotes recairiam sobre as cenas de nudez e esse tipo de coisa que costuma virar manchete fácil. Mas não: para minha surpresa e alegria, o que ganhou corpo foi a dimensão mais profunda e interessante da história. O público não saiu falando de qualquer choque visual, mas da humanidade entre Marco e Ney, daquela ternura que escapa dos clichês e alcança algo maior. O que repercutiu, no fim, foi a sensação de que estávamos diante de um gesto universal: a tentativa de compreender e acolher o outro”, disse. Foi esse deslocamento, do corpo exposto à relação exposta, que deu ao trabalho uma dimensão inesperada.

No compasso do reconhecimento, Bruno se prepara para outro desafio de natureza distinta: revisitar o universo romântico e fantástico criado por Carina Rissi em “Encontrada”, sequência de “Perdida”, da Disney. O primeiro filme, lançado em 2023, conquistou fãs fiéis e consolidou o ator como protagonista, ao lado de Giovanna Grigio, de um romance de época com ares de Jane Austen. Agora, a continuação chega com a responsabilidade de manter a mesma conexão afetiva e, ao mesmo tempo, expandir a narrativa sob o olhar de um intérprete transformado pela experiência recente no cinema biográfico.

Essa passagem de um extremo a outro, da densidade de “Homem com H” ao encantamento lúdico de “Encontrada”, expõe a versatilidade do ator e coloca diante dele a chance de dialogar com públicos distintos sem perder coerência artística. Ele comenta: “Voltar a Ian Clarke agora é diferente. Sinto que a cada novo trabalho e com a passagem de tempo, tenho oportunidade de oferecer camadas extras a cada papel. O público quer rever aquele romance, claro, mas também merece uma história que não seja só a repetição. Minha missão agora é encontrar essa medida!”, concluiu.