Eu estava na esteira da academia do Leblon, quase batendo meu recorde da semana, quando uma fonte me mandou o link e eu quase escorreguei do aparelho. Dado Dolabella entrou com mais um processo, e dessa vez o alvo é a Globo. Parei a corrida ali mesmo, porque quando um ator vai somando emissora após emissora no banco dos réus, a história merece atenção e, principalmente, cuidado.
Vamos aos fatos, que aqui eles pesam. Depois de já ter processado Record e Band, o ator agora aciona a Globo na 19ª Vara Cível do TJ-RJ, segundo apurou o Gabriel Vaquer, da Folha. Ele reclama que reportagens do grupo, publicadas no ano passado, relembraram antigos casos em que foi acusado de agressão, e sustenta, junto com os advogados, que houve uma tentativa de manchar sua imagem. O processo fala em calúnia e difamação por associá-lo a um histórico de violência, e ele pede indenização, a remoção imediata das matérias dos portais da empresa e um direito de resposta na programação de TV, nos portais e nos canais digitais. Procurados por WhatsApp e email desde a tarde de segunda-feira (20), os advogados não responderam. A Globo informou que não comenta casos judiciais.

E o retrospecto é o que dá dimensão ao caso. No total, são quatro denúncias formais movidas por antigas companheiras. Luana Piovani fez um dos registros e, embora ele não tenha sido condenado nesse episódio, o próprio ator confessou a agressão em entrevista a Roberto Cabrini, na Record: “Agredi, agredi. Eu reconheço.” Viviane Sarayhba e Marina Dolabella, que também é prima dele, obtiveram condenação em primeira instância, com recursos ainda pendentes de julgamento definitivo. Já Marcela Tomaszewski segue sem desfecho na Justiça: ela chegou a desmentir o ocorrido, mas depois se retratou, ratificando ter enfrentado violência física e emocional e relatando que foi persuadida a ocultar a verdade.
O que salta aos olhos é a engenharia da defesa, que tenta transformar a cobertura em ré da história. Pedir a remoção das reportagens e um direito de resposta em rede nacional é uma maneira elegante de tentar reescrever o índice do Google. Convém lembrar que o ator está afastado das novelas desde 2014, quando deixou “Vitória“, da Record, após um conflito com um profissional da equipe de produção que também o denunciou por conduta agressiva. Ou seja, o padrão que ele quer apagar dos portais tem data e testemunha.

Enquanto a Justiça do Rio decide, a lista de emissoras processadas só cresce e as antigas companheiras seguem com seus processos de pé. Fico com uma observação simples: se o incômodo é ser lembrado de um histórico, convém olhar primeiro para o histórico antes de mirar em quem o publicou. Anotei na agenda para acompanhar de perto, sem tirar o olho de quem teve a coragem de denunciar.