A Justiça de São Paulo rejeitou um novo recurso do SBT e manteve a ordem para que o Programa do Ratinho exiba um direito de resposta da deputada federal Erika Hilton. A decisão é consequência das falas transfóbicas do apresentador contra a parlamentar, feitas em março.
No Cosme Velho, eu tinha acabado de guardar as compras do RioSul e estava separando os ingredientes do almoço quando li isso. E, sinceramente, nada mais justo do que fazer uma emissora abrir espaço para a resposta de quem foi atacada no próprio programa.

Na ocasião, Ratinho questionou a escolha de Erika para presidir a Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara. Ele negou a identidade feminina da deputada por ela ser uma mulher trans, afirmando que havia “outras mulheres, mulheres mesmo” para a função.
A Justiça foi direta ao analisar o episódio. O juiz Mario Chiuvitte classificou os comentários como uma “reiterada e degradante negação da identidade de gênero e da condição feminina” de Erika Hilton.
Eu coloquei a panela no fogão e pensei: mulher trans é mulher, minha gente. Não há debate de auditório, apelido de mau gosto ou fala travestida de opinião que mude isso.
O SBT alegou que exibir a resposta da deputada durante o período eleitoral poderia beneficiá-la politicamente. O juiz rejeitou o argumento e afirmou que uma ordem judicial não se confunde com propaganda eleitoral nem cria privilégio.
“A condição de parlamentar candidata não imuniza o agressor nem suspende a eficácia da decisão”, escreveu o magistrado. Eu mexi o molho e achei que está aí uma frase para pendurar na parede de muita gente que se esconde atrás de microfone.

Erika processou Ratinho por transfobia e também pediu indenização de R$ 10 milhões, além da suspensão temporária do programa. Nesta etapa, a Justiça manteve especificamente o direito de resposta, que precisa ser exibido em até dez dias.
Se o SBT não cumprir a determinação, poderá pagar multa diária de R$ 50 mil. Eu deixei a mesa pronta para o almoço pensando que respeito não é favor e que, quando alguém usa a televisão para desumanizar uma mulher, a resposta precisa ter o mesmo alcance.