Ary Fontoura, aos 93 anos, entrou no debate sobre a nova febre adolescente de “farmar aura” e deixou claro que precisou de alguns minutos para processar a ideia. O ator publicou um vídeo após repercutir um campeonato em São Paulo que reuniu jovens para competir em estilo, presença e carisma.
Eu tinha acabado de sair do compromisso e entrei no carro quando vi o vídeo. Minha filha, existem momentos em que uma pessoa de 93 anos pergunta o que está acontecendo com os adolescentes e você percebe que a geração inteira vai precisar sentar para explicar o próprio vocabulário.
“Gente, o que está acontecendo com os nossos adolescentes? Inventaram agora um concurso de ‘farmar aura’. O que é isso?”, questionou Ary. E, sinceramente, a dúvida é legítima até para quem usa internet todo dia.

“Farmar aura” é uma expressão das redes para a tentativa de acumular uma espécie de prestígio social. Na prática, é aparecer com atitude, roupa, postura, carisma ou frieza calculada para parecer mais interessante e “cool” diante das pessoas. É quase um campeonato informal de presença, só que com linguagem de videogame e TikTok.
Ary comparou a tendência às brincadeiras que marcaram a própria infância. “Eu só espero que isso de ‘farmar aura’ seja só uma fase. Na minha época, a gente brincava de amarelinha, pega-pega, pular corda e pique-esconde”, escreveu.

A publicação recebeu apoio nos comentários. Angélica reagiu com emoji de choro, enquanto Eriberto Leão deixou uma reflexão: “Meu amigo, imagine se isso fosse direcionado para música, artes cênicas, pintura, literatura, história… aí sim, a aura iria brilhar.”
Eu olhei pela janela do carro e pensei que o Brasil virou mesmo um lugar onde adolescentes disputam aura enquanto Ary Fontoura defende amarelinha. Ninguém está necessariamente errado, mas uma conversa entre as duas turmas renderia uma série melhor que muita produção de streaming.