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Kátia Flávia
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Anitta se revolta com vazamento de clipe que odiou e dispara contra ex‑equipe: “Não lancei nada hoje”

Vídeo antigo de “Tá na Mira”, engavetado pela cantora, apareceu nas plataformas nesta sexta-feira sem autorização. Anitta foi às redes afirmar que não lançou nenhum clipe e responsabilizou profissionais que já não integram sua equipe.

Kátia Flávia

13/03/2026 14h30

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Um clipe engavetado pela cantora há 12 anos foi divulgado na noite desta quinta-feira (12) em uma plataforma de música. (Foto: Reprodução/ Jornal Extra)

Meus fofoqueiros de elite, eu precisei sentar para processar porque essa história tem cheiro de arquivo desenterrado, ressentimento de bastidor e artista furiosa com razão muito clara. Anitta apareceu nas redes nesta sexta-feira, 13, para avisar em letras praticamente garrafais que não lançou clipe nenhum, apesar de um vídeo de “Tá na Mira” ter surgido na internet como se fosse presente para fã. Presente, meu amor, só se for daqueles que alguém tira do fundo do armário sem perguntar ao dono da casa se a visita pode abrir a gaveta.

A cantora foi direta. Disse que qualquer vídeo publicado hoje saiu sem a autorização dela e atribuiu o movimento a pessoas que não fazem parte de sua equipe há tempos. Eu adoro frase curta com perfume de processo emocional, porque ali mora o verdadeiro entretenimento adulto. Não teve texto místico, não teve legenda contemplativa, não teve aquela prosa de artista fingindo que está tudo bem enquanto quebra copo na cozinha. Ela foi lá e demarcou território, o que no idioma da indústria musical significa uma coisa muito simples: esse material existe, mas não me representa e eu não assino essa bagunça.

O ponto mais saboroso, do ponto de vista jornalístico e fofoqueiro, é que “Tá na Mira” seria justamente um desses trabalhos antigos que ela preferiu engavetar por não gostar do resultado. E aqui eu entendo perfeitamente o surto. Todo artista com trajetória longa tem seu cemitério particular de ideias ruins, versões abortadas, figurinos infelizes, decisões tomadas antes da iluminação espiritual do branding e da maturidade estética. O problema começa quando esse cemitério resolve levantar da terra com upload e thumbnail.

Fãs, claro, reagiram naquele modo clássico de arqueologia pop com euforia. Muita gente comemorou a chance de ver um material inédito, ainda que antigo, porque fã tem esse lado colecionador de relíquia emocional, quase um curador de museu clandestino da era pré-filtro. Só que uma coisa é o público matar curiosidade. Outra coisa é a artista ver um conteúdo que detesta circular como lançamento informal, sem controle, sem contexto e sem o aval dela. Isso mexe com imagem, narrativa e com aquele ativo invisível que estrela grande protege como joia de família, o direito de decidir o que entra ou não no próprio legado.

Eu, que já vi carreira desandar por muito menos e ego artístico entrar em combustão por figurino reaproveitado, achei a reação dela até contida. Porque vazamento de clipe rejeitado tem uma maldade específica. Não é só exposição indevida. É quase uma sabotagem estética, um empurrãozinho para jogar na vitrine aquilo que a dona da vitrine mandou guardar. Parece roteiro de série cara passada numa gravadora com ar-condicionado no máximo e ressentimento correndo solto pelos corredores.

Tem também um detalhe importante nessa novela pop. Ao citar profissionais que já saíram de sua equipe, Anitta acende a luz sobre um bastidor antigo da indústria, aquele em que arquivo, posse de material, autorização e vaidade caminham juntos feito ex-casal em festa de amigo em comum. Nem sempre o público vê esse pedaço da engrenagem, mas ele existe, e costuma explodir justamente nesses momentos em que uma obra volta à tona fora do timing e da vontade de quem a gravou.

Meu bem, eu comecei essa história achando que era só um vazamento nostálgico e terminei olhando para ela como um clássico caso de controle de carreira em disputa. Anitta construiu uma imagem calculada até o último cílio, então faz todo sentido que reaja com irritação quando um pedaço rejeitado do passado aparece fantasiado de novidade. Quem trabalha a própria marca como ela trabalha não aceita clipe órfão circulando por aí como se fosse mimo. Aceita menos ainda quando o fantasma vem vestido por gente da antiga casa.

Fico com a impressão de que esse vídeo virou menos um presente aos fãs e mais um bilhete atravessado vindo do porão da carreira. E bilhete atravessado, meu amor, Anitta sabe ler em dois segundos. O resto é fumaça, print e bastidor fervendo.

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