Eu estava na fila da Piriquita, em Sintra, aqui em Portugal , esperando meus travesseiros saírem quentinhos do forno, quando a Bianca Cuqui me ligou por vídeo do Rio, virou a câmera para a televisão e gritou: “mulher, chamaram o Garotinho de “Léo Dias da política!”. Larguei a sacola no balcão, pedi desculpa à senhora portuguesa que estava atrás de mim, e ela ainda me olhou com aquela cara de “ó menina, está tudo bem?”. Não estava. Eu estava chorando de rir no meio da serra.
Foi no debate dos candidatos ao governo do Rio promovido pela TV Globo na noite desta terça. André Marinho, do Novo, olhou para Anthony Garotinho, do Republicanos, e cravou que ele é o “Léo Dias da política fluminense”. Como se fosse pouco, emendou que Garotinho virou uma espécie de “fiscal retroativo do estado”. Quem acompanha o Marinho sabe que ele ficou famoso imitando político, então a alfinetada saiu com timing de quem ensaiou no espelho.

E a piada colou porque tem lastro. Garotinho governou o Rio entre 1999 e 2002, passou um tempo longe da linha de frente e voltou a fazer barulho pelas redes sociais, onde publica denúncia atrás de denúncia contra figurões da política fluminense. No debate, fez ao vivo o que faz no celular: circulou pelo estúdio, confrontou adversário, desenterrou história antiga e chegou a cobrar Eduardo Paes sobre as vigas retiradas do Elevado da Perimetral. Paes negou as acusações.
O melhor veio no clima do estúdio. Teve risada até entre os concorrentes, e quando Paes começou a andar pelo cenário, Garotinho foi atrás dele e avisou: “Eu vou junto”. Gente, eu revi essa cena umas quatro vezes. Debate para governador virou corredor de camarim, com um candidato colado no outro feito repórter de porta de hotel esperando o famoso sair.
Agora, deixa eu defender o meu Leonardo, porque eu amo esse homem e só chamo ele pelo nome inteiro, do jeito que minha avó chamava neto para jantar. Leonardo construiu a fama no entretenimento furando todo mundo com bastidor, revelação e história que ninguém tinha, e o Marinho pegou essa imagem e pendurou em quem chega ao debate carregando pasta de acusação contra os rivais. Se eu fosse o Leonardo, mandava a conta do direito de imagem para a campanha ainda hoje.
Até a hora do almoço aqui em Portugal, meu telefone já tinha tocado da Gávea, do Projac, que eu me recuso a chamar de Estúdios Globo porque velho hábito não morre, e de Honório Gurgel, e o assunto era um só em todos os cantos do Rio. Atravessei o Atlântico, subi ladeira de Sintra, troquei o cafezinho pelo travesseiro da Piriquita, e a fofoca me achou do mesmo jeito. Desta vez ela chegou vestida de debate para governador, com direito a candidato correndo atrás do outro e prometendo ir junto.