Carlo Ancelotti tratou a possível despedida de Neymar da Seleção Brasileira como sinal de fim de ciclo e fez uma crítica direta à preparação do jogador na Copa do Mundo. Para o técnico, o camisa 10 poderia ter chegado em melhores condições ao início do torneio. “Podia estar melhor no primeiro jogo e não no quarto jogo”, afirmou.
Entrei no MACE, Museu de Arte Contemporânea de Eivissa, procurando uma sala mais fresca que as muralhas de Dalt Vila, e dei de cara com essa declaração. Neymar virou instalação de fim de ciclo: todo mundo observa, comenta, discute o que significou, mas ninguém parece saber direito como desmontar a peça sem deixar um vazio na parede.

Ancelotti disse respeitar o que Neymar declarou recentemente sobre não querer mais defender a Seleção, mas deixou claro que a equipe precisa seguir adiante. “Uma geração se acaba e a outra tem que vir, tem que ser melhor que a última”, afirmou em entrevista à ESPN.
A fala mais incômoda veio quando o treinador avaliou a participação de Neymar no Mundial. “A única coisa que me incomodou é que o Neymar podia treinar nesse período, preparar-se melhor”, disse. Ancelotti ponderou que, depois disso, a postura do atleta foi “perfeita”: ele teria treinado bem, focado na recuperação e ajudado os companheiros.
Mesmo assim, a crítica tem peso. O técnico não disse que Neymar derrubou a Seleção, mas reconheceu que ele não estava no ponto ideal quando a Copa do Mundo começou. Para um jogador que sempre carrega a expectativa de salvar o Brasil com uma jogada, chegar pronto apenas no quarto jogo é uma conta cara demais.

Ancelotti incluiu Neymar, Casemiro, Danilo e Alex Sandro entre os veteranos que podem encerrar o ciclo. Marquinhos ainda aparece como possível ponte com os mais jovens, enquanto a comissão técnica já mira a Copa América de 2028 como primeiro grande teste da reconstrução.
Passei devagar pelas obras do museu, com a garrafa de água com gás escondida na bolsa e a certeza de que toda transição dói. Neymar ainda é um nome gigante, mas Ancelotti acabou de avisar que nome não garante cadeira cativa. Para ficar, vai ter de chegar pronto antes do apito inicial.