Estava no café da manhã matando as saudades com as amigas aqui no Cosme Velho quando o grupo do WhatsApp começou a ferver com gente indignada achando que a Globo tinha ficado com o troco do prêmio de Ana Paula Renault. Liguei o modo coluna na hora.
Ana Paula Renault venceu o BBB 26 e recebeu R$ 5,7 milhões líquidos, o valor que Tadeu anunciou na final e que ela pode gastar à vontade, sem dever nada a ninguém. Mas o prêmio bruto, o total gerado antes do imposto, passou de R$ 8,1 milhões. Gil do Vigor foi às redes explicar: premiações desse tipo têm 30% de tributação, então os R$ 5,44 milhões representavam 70% do total. Acrescente o rendimento do valor depositado no Mercado Pago durante o programa, mais de R$ 268 mil, tributados separadamente, e o bruto ultrapassou R$ 8,1 milhões.
A campeã não foi lesada. A Globo não escondeu nada. O que aconteceu foi que o público ouviu “oito milhões” circular pelas redes por meses, viu R$ 5,7 milhões na final e concluiu que alguém tinha ficado com o troco. Tinha, sim: a Receita Federal, destino certo de mais de R$ 2 milhões antes de o cheque existir.
O Brasil precisou de um ex-BBB economista numa live para entender a diferença entre bruto e líquido. Ana Paula, pelo menos, não precisou: ela já está com os R$ 5,7 milhões na conta, e isso, meu bem, é o que importa.