Saí do museu em Nápoles ainda processando a notícia do Mister Sam e fui tomar um aperitivo numa enoteca ali perto, daquelas com azulejo antigo e vinho que parece ter personalidade própria. Aí o Brasil resolveu me puxar de volta pela manga com uma briga de BBB ao vivo que fez meu aperol tremer na taça.
Na edição ao vivo de segunda-feira (13), Tadeu Schmidt propôs uma dinâmica de aprendizado: cada participante deveria apontar alguém da casa e dizer o que aprendeu com aquela pessoa como exemplo do que não fazer. Jordana Morais usou o espaço para apontar Ana Paula Renault e acusá-la de promover rivalidade feminina no jogo. Ana Paula ouviu, esperou um segundo e devolveu com a frase que já está impressa na memória da temporada: “Qual bandeira vamos banalizar hoje? Quais direitos humanos eu vou ferir?” Não foi um grito, foi uma facada com luva. A jornalista ainda foi além e disse publicamente que viu Jordana, entre outras pessoas, tentando manipular os acontecimentos dentro da casa. Jordana teve direito de resposta e virou o argumento, dizendo que Ana Paula é quem fabrica situações para prejudicar adversários, que ficou confusa na dinâmica porque ia falar de Milena, mas mudou de alvo ao ouvir o nome dela. Ana Paula fechou com “eu desmascarei esse jogo, ela queria ser a sofrida.”



No digital, o clip da resposta de Ana Paula viralizou antes da edição terminar. Os fãs dela colocaram a frase dos direitos humanos em loop com gif de aplausos. Os de Jordana foram ao Twitter apontar que Ana Paula sorriu enquanto falava, lendo isso como sinal de que a emoção era calculada. Ambos os lados têm teoria e print. O interessante é que nenhum dos dois campos ficou em silêncio nem por dez minutos, o que significa que os dois estão jogando em frequências que o público ouve bem.
Ana Paula é Camarote, jornalista de carreira, acostumada a câmera, sabe exatamente o peso de uma frase dita em cadeia nacional. Jordana é advogada, também entende de argumento e de timing processual. O problema é que o BBB não é tribunal e o recurso ao discurso de bandeira e direitos humanos numa briga de jogo tem um prazo de validade curto: funciona como escudo uma vez, na segunda já parece manual de bolso. Jordana percebeu isso e tentou virar o argumento apontando que Ana Paula cria enredo, que usa a narrativa de jogo sujo para pavimentar o próprio caminho. A questão real é que as duas estão corretas sobre a outra, e esse é exatamente o tipo de empate que faz o programa durar.
Ana Paula perguntou qual bandeira eles iam banalizar. Jordana respondeu dizendo que ela inventa as coisas. O Brasil inteiro assistiu e criou uma terceira opinião completamente diferente das duas. Se isso não é televisão funcionando no modo turbo, eu não sei o que é.
Confira o vídeo: