Amores , estou no sul da Itália, tentando viver uma experiência mediterrânea, uma coisa fina, um negócio limão-siciliano-com-dignidade, quando me aparece Ana Maria Braga no Globoplay confessando que teve vontade de bater em Ana Paula Renault. Pronto. Acabou Capri, acabou Amalfi, acabou a minha paz de espírito. O café da manhã brasileiro entregou mais tensão do que muito jantar de família milionária em novela das nove.
A cena aconteceu no Mais Você, no encontro de Ana Maria com Ana Paula depois da passagem dela pelo BBB. E a “Namaria” foi de uma sinceridade deliciosa, dessas que fazem a televisão respirar. Disse, na lata, que tinha hora em que dava vontade de bater nela mesmo, porque Ana Paula chegava no limite do limite do outro, ia atrás, cutucava, provocava, encostava no nervo sem precisar gritar. Uma artista do caos com diploma em irritação estratégica.



O melhor é que a própria Ana Paula não correu da tese, abraçou. Explicou que usava estratégias e que uma delas era justamente irritar quem a irritava. Quer dizer, ela não tropeçou no personagem, ela pilotou o personagem com gosto, de salto emocional e radar ligado. E Ana Maria, muito esperta, fez a leitura que interessa, a de que aquele comportamento também funcionava como defesa, como escudo, como jeito de sobreviver na selva com câmera, voto e gente insuportável dividindo o mesmo banheiro.
O que me pega nessa história não é a frase sobre bater. É o luxo do subtexto. Ana Maria não estava julgando só por julgar, ela estava descrevendo aquele tipo de participante que enlouquece a casa porque entende exatamente onde o outro desmonta. Ana Paula não precisava falar grosso o tempo inteiro. Ela fazia pior, ela falava certo. Tinha veneno, mas tinha método. Era uma cobrinha com PowerPoint, uma peste com raciocínio lógico, o tipo de criatura que faz metade do elenco querer fugir e a outra metade querer chamar o confessionário como advogado.
No fim, foi uma cena perfeita de televisão brasileira. Tinha memória de BBB, tinha humor, tinha confissão, tinha a apresentadora imaginando a própria expulsão e tinha Ana Paula rindo como quem sabe muito bem o estrago que causava. Eu, daqui do sul da Itália, só posso dizer uma coisa: o pão de queijo pode até esfriar, a coxinha pode murchar, mas o brasileiro quando resolve transformar café da manhã em acerto de contas merece patrimônio cultural e uma estátua em horário comercial.
Confira o vídeo: