Eu estava saindo de uma reunião no Leblon e caminhando até o carro quando o telefone tocou. Era o pessoal da comunicação da 30e confirmando os detalhes do Maior Encontro do Samba. Confesso que parei na calçada para ouvir. Zeca Pagodinho, Alcione e Jorge Aragão dividindo o mesmo palco já seria motivo suficiente para chamar atenção. Mas a novidade vinha acompanhada de outro peso: a Amstel, marca do Grupo Heineken, entrou como patrocinadora oficial da turnê, enquanto o Itaú Live assina a apresentação.
A série de shows já passou pelo Nubank Parque, em São Paulo, nos dias 20 e 21 de junho, e segue agora para Brasília, no dia 19 de setembro, na Arena BRB Mané Garrincha. Depois retorna a São Paulo, em 31 de outubro, passa por Curitiba, na Arena da Baixada, em 7 de novembro, segue para Porto Alegre, no Beira-Rio, em 14 de novembro, e encerra a turnê em Belo Horizonte, no Mineirão, em 28 de novembro.

Enquanto anotava as datas, me lembrei de uma conversa recente sobre o tamanho da operação da 30e. A produtora, que hoje figura entre as principais do país, já esteve por trás de turnês e apresentações de artistas como Paul McCartney, System of a Down, Lana Del Rey, Kendrick Lamar, Slipknot, Gorillaz e Roger Waters, além da SUPERTURNÊ de Jão e da despedida dos palcos do Natiruts. Não é exatamente uma empresa que entra pequena em qualquer projeto.
Pouco depois veio uma segunda ligação, desta vez de uma fonte ligada ao Grupo Heineken, que ajudou a completar o quebra-cabeça. A entrada da Amstel vai além da exposição da marca em uma série de shows. Ao associar seu nome a três dos maiores representantes do samba brasileiro justamente no ano em que o grupo inaugurou uma nova fábrica em Passos, em Minas Gerais, a cervejaria reforça uma estratégia que combina expansão de mercado, proximidade com o público e fortalecimento institucional.
E vou dizer uma coisa. No mercado de entretenimento, dificilmente um patrocínio desse porte acontece por acaso. Quando uma marca escolhe um projeto dessa dimensão, com artistas que atravessam gerações e uma produtora acostumada a movimentar multidões, existe muito mais do que um logotipo estampado no palco. Existe posicionamento.
Enquanto guardava o celular no bolso e seguia para o carro, fiquei pensando que esse encontro já tinha tudo para ser histórico só pela música. Com a movimentação das marcas por trás da turnê, ficou claro que o samba também continua sendo um dos maiores ativos do entretenimento brasileiro.